Dia corrido, as vezes o dia é maior que as horas…

Foto AndersonSantos

Foto Anderson Santos

boa constrictor

Foto Anderson Santos

Hoje (09/07) o dia começou com o resgate de uma jiboia de cerca 60 cm que estava na frente da cancela de saída do JBRJ. O animal foi avistado por funcionários e visitantes do Jardim, que fizeram várias fotos e acionaram a equipe da Fauna para o resgate. A jibóia foi solta na Mata Atlântica, em área de acesso restrito, para sua própria segurança, pelos estagiários voluntários do Projeto de Conservação da Fauna Carla Helena, Gabriela Vivacqua e Anderson Santos. A equipe aproveitou a oportunidade para fazer varias fotos, durante o monitoramento da solta.

Apesar do tamanho reduzido, já que jiboias podem chegar a mais de 4m, vale lembrar que esse indivíduo já possui força de constrição suficiente para prover sua própria alimentação de forma muito eficiente. Como todas as constritoras, as jiboias imobilizam suas presas em um abraço de constrição, matando por sufocamento, para engolirem a caça pela cabeça, com a ajuda de dentes especialmente adaptados para condução desse alimento. Elas podem defender-se com um bote ou mordidas. Não possuem veneno ou peçonha, mas a saliva da mordida pode causar alergias ou infecções.

Foto Gabi Heliodoro

Foto Gabi Heliodoro

Com o período de frio a atividade dos répteis em geral diminui graças ao seu metabolismo mais lento, já que são pecilotérmicos (não regulam a temperatura corporal sem ajuda do ambiente). Podem procurar locais de refúgio ou locas para se esconderem e réstias de sol para se aquecerem. Não devem ser perturbadas pois podem, sim, atacar para se defender.

Quer saber mais sobre as jiboias? Leia aqui. Saiba mais sobre a importância das serpentes em geral no equilíbrio do ecossistema aqui.

Tão logo chegamos ao escritório houve uma chamada para os Saimiris, que estariam no arboreto, na área do Bicano, mas que, infelizmente, não foram avistados.

Os Saimiris são macacos de porte pequeno, menores que os macacos-prego mas maiores que os saguis. São conhecidos como micos-de-cheiro e tem feições bastante características. Exóticos para o Rio de Janeiro, são nativos da bacia amazônica e platô das Guianas, na América do Sul. Ocorrem na América Centyral até a Costa Rica. Um grupo desses primatas foi solto e instalou-se na Floresta da Tijuca e adjacências e alguns indivíduos são avistados no JBRJ esporadicamente.

Sem a visualização, voltamos para o escritório decpcionados…

Foto  Carla H. Bunn Neiva

Foto
Carla H. Bunn Neiva

E, nem deu tempo de esfriar: Chegamos ao escritório e já fomos ao resgate de um jovem gavião-carijó (Rupornis magnirostris) que estava com a guarda no portão 915. O animal apresentava paralisia de membro posterior e foi inicialmente avaliado por nossa equipe. Devido a gravidade do quadro, foi imediatamente encaminhado à Clínica de Recuperação de Animais Selvagens da Universidade Estácio de Sá (CRAS-UNESA), que trabalha em parceria direta com o Projeto de Conservação da Fauna.

Clínica de Reabilitação de Animais Selvagens - Universidade Estácio de Sá.

Clínica de Reabilitação de Animais Selvagens – Universidade Estácio de Sá.

Atendido pelo veterinário Jeferson Pires, responsável pelo CRAS, o animal apresenta fratura do fêmur e embolia pulmonar. Está em tratamento para estabilizar o quadro de embolia e poder submeter-se à intervenção cirúrgica para a correção da fratura. Após a recuperação cirúrgica será feita a avaliação para as possibilidades de reintrodução.

O gavião-carijó é uma das rapinantes mais comuns do Brasil, ocorrendo em todo o país e até o México e Argentina. No Rio de Janeiro é um avistamento bastante frequente. É conhecido por sua vocalização típica e por ficarem empoleirados em galhos, postes e outros promontórios, esperando a visualização das muitas pequenas presas que caça.

Foto  Carla H. Bunn Neiva

Foto
Carla H. Bunn Neiva

Tornou-se muito bem adaptado aos centros urbanos, onde tem poucos predadores e encontra muito alimento no lixo e descartes humanos. Alimenta-se de ratos e outros roedores, pequenos vertebrados e mesmo invertebrados, sendo muito generalista em seus hábitos. É um importante agente regulador do equilíbrio ecológico, caçando animais feridos ou doentes e evitando a superpopulação de pragas como os ratos. Alimentam-se até mesmo de morcegos, que capturam enquanto dormem. Muitas vezes alimentam-se de ovos e filhotes de pássaros, como o mui conhecido bem-te-vi, que costuma perseguir o carijó em voo, atacando-o ferozmente.

Foto  Carla H. Bunn Neiva

Foto
Carla H. Bunn Neiva

O gavião resgatado pelo projeto é um jovem, ainda com plumagem densa de filhote por baixo da plumagem definitiva. Os carijós formam casais estáveis e constroem ninhos de cerca de 50 cm no alto de grandes árvores. A incubação dos ovos é feita pela fêmea, enquanto ao macho cabe a tarefa de trazer alimentos para ela. Defendem seus ninhos com coragem, podendo até atacar pessoas que, inadvertidamente, passem por baixo deles.

Mais informações sobre o Gavião carijó: http://www.wikiaves.com.br/gaviao-carijo

Mais uma vez, corremos para o escritório e, muito boa notícia nos aguardava: O cachorro Humberto ganhava um dono! Mas isso é assunto para outro post!!

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