Lagartos do JBRJ – por Marco Massao

marco2Quem escreve esse post é o Marco Massao, o estagiário do Projeto Fauna que estuda répteis e anfíbios no Jardim. (Veja mais sobre ele em equipe).

Lagartos são répteis que vivem na Terra há milhões de anos. Pouco ou nada mudaram da forma que eram antigamente, mas não podemos confundir eles com dinossauros, que não eram répteis, ou com os crocodilianos (jacarés e crocodilos), que pertencem a outra ordem taxonômica. Os lagartos pertencem à ordem Squamata e subordem Sauria. As suas características básicas são: corpo com escamas, ouvido externo, sangue frio e em sua maioria quatro membros (patas).

Não é difícil encontrar eles pelo Jardim Botânico, solitários ou em pequenos grupos sobre pedras, em construções e nos gramados, escondidos na mata ou se camuflando em folhas e troncos. Em dias ensolarados ficam ao sol em clareiras para regular sua temperatura corporal.

Os lagartos são focos de estudos que buscam entender melhor seu modo de vida, quem são eles e seus hábitos dentro do Jardim.

IMG_9914-001Próximo ao lago Frei Leandro encontramos um lagarto cuja cor pode ir do cinza ao marrom claro, popularmente chamado de Calango (Tropidurus torquatus). Pode chegar a 20 cm e se alimenta principalmente de insetos e pequenos vertebrados. Ocorre desde o norte da Colômbia, passando pelo Brasil até o norte da Argentina. É muito interessante observar eles correndo de um ponto a outro em busca do melhor local para tomar sol e se alimentar.

Um grande lagarto pode ser visto circulando pelo Jardim entre os gramados, o Teiú (Salvator merianae), é robusto e o maior lagarto das Américas. Chegam facilmente a 1,5m de comprimento. Pode se alimentar de insetos, ovos, pequenas aves, roedores, restos de animais mortos e frutos. Apesar do tamanho, não são agressivos e ao menor sinal de perigo eles se escondem entre as plantas. Preferem áreas menos visitadas e mais escondidas, como a “região amazônica” e a coleção de palmeiras do JBRJ.

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Lagarto 02-08-2012 032Na área de mata, entre as cascas de árvores e folhiço, encontramos o pequenino lagartinho-de-Darwin (Gymnodactylus darwinii), nome dado em homenagem ao pesquisador Charles Darwin. É um lagarto bem pequeno com no máximo 10 cm, endêmico de Mata Atlântica. Encontrar essa espécie só foi possível com o uso de técnicas especificas de estudos ecológicos. Disputam território com as lagartixas comuns de parede (Hemidactylus mabouia) que pertence à mesma família, sendo esta última uma espécie invasora neste ambiente, vinda da África trazida pelos colonizadores. Alimenta-se de pequenos insetos e invertebrados.

GustavoPedroNos troncos e galhos das árvores próximas à presidência e nas áreas da restinga podemos encontrar o lagarto-papa-vento (Anolis punctatus), um lagarto de cauda longa e de colorido que pode ir de um tom verde acinzentado a um verde claro vivo ou tons de roxo. Uma característica muito interessante dessa espécie está em seu pescoço, onde podemos ver uma membrada colorida amarela, que é utilizado pelos machos para atrair as fêmeas. Raramente é visto, mas com sorte pode ser encontrado tomando sol.

O mais curioso de todos os lagartos conhecidos no Jardim, é um que é muito confundido com cobras pela sua forma. Daí seu nome popular cobra-cega ou cobra-de-duas-cabeças (Leposternon microcephalum). É um lagarto ápode (sem patas), tem hábitos fossoriais (vivendo em baixo da terra), saindo pouco do solo. Alimenta-se de invertebrados e é predado por mamíferos e aves de rapina. Só foi visto apenas três vezes no Jardim desde 2009,quando se iniciou os estudos com herpetofauna. Pouco se sabe sobre seus hábitos ecológicos, e estudos mais aprofundados sobre essa espécie estão sendo desenvolvidos. Há uma lenda em locais de interior envolvendo este animal, ela diz que: “Se uma cobra de duas cabeças te morder, com as duas cabeças, você morre!”  É claro que isso não pode ser verdade, esse animal não tem duas cabeças apenas uma e não possui toxina alguma, além de ser inofensivo.

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Outras espécies podem viver no Jardim, o levantamento de espécies deve ser continuo e paralelo a estudos ecológicos para conhecermos melhor os hábitos desses animais em um ambiente alterado e influenciado pela constante visitação e modificação do homem.

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Sobre Cris

Carioca, flamenguista, bióloga, primatóloga, viajante, casada. Metida a fotógrafa.
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