Micos-de-cheiro (Saimiri sciureus) – por Mariana Vergueiro

Mariana VergueiroQuem escreve esse post é a Mariana Vergueiro, a estagiária do Projeto Fauna que estuda os micos de cheiro (Saimiri sp.) no Jardim. (Veja mais sobre ela em equipe).

Os micos-de-cheiro (Saimiri sp.) são animais de hábitos diurnos que vivem nas florestas tropicais da America Central e América do Sul, ocorrendo inclusive em território brasileiro. Mas não pense que eles possuem esse nome por terem um aroma agradável: esses macacos são assim conhecidos por estarem sempre com a cauda cheia de xixi! Eles possuem esse hábito de passar urina pelo corpo para comunicação olfatória, a fim de demarcar seu território e sentir o cheiro de outros que passaram por ali.

SaimiriEsses primatas de pequeno porte possuem pelagem curta e são também conhecidos por alguns como macaco-mão-de-ouro, devido à cor amarelo-alaranjada das suas patas. Outra característica peculiar é sua coloração preta envolta da boca e uma máscara de pelos brancos ao redor dos olhos, o que os faz lembrar palhaços.

São arborícolas e vivem no meio das árvores, mas podem eventualmente descer ao chão para se alimentar ou subir a alturas maiores nas copas. Preferem a cobertura vegetal do dossel, pois assim se camuflam das aves de rapina, seus principais predadores.

IMG_6151Eles andam em grupos sociais grandes, compostos por indivíduos jovens, machos e fêmeas. De acordo com a época reprodutiva, os machos podem tanto fazer parte de um grupo, quanto serem periféricos, solitários, ou formarem grupos só de machos. Os filhotes têm a cauda preênsil, ou seja, conseguem se pendurar apenas pelo rabo. Porém, essa capacidade é perdida quando chegam à fase adulta. Geralmente formam relações amigáveis entre os grupos e podem também viver em harmonia com outros primatas, como uacaris (Cacajao), cuxiús (Chiropotes) e principalmente macacos-prego (Cebus).  

Considerados animais bastante ágeis, eles se alimentam de sementes e frutos ou de insetos dependendo da época do ano. São ainda oportunistas, podendo também comer ovos de pássaros e pequenos invertebrados.

Por serem bastante dóceis, são comumente capturados como animais de estimação, fato que viabiliza o tráfico da espécie. A dieta generalista do Saimiri e o contrabando de sua espécie torna o mico-de-cheiro um potencial invasor de outros habitats, e já se tem relatos destes animais introduzidos em diversas regiões do Brasil.

Dos muitos casos relatados, a espécie já foi identificada no fragmento de Mata Atlântica em que se encontra o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O ponto turístico, que antes já sofria impactos com os pequenos saguis (Callithrix), atualmente vive as consequências da invasão desses pequenos primatas.

saimiriOs problemas que as invasões biológicas podem causar a um ecossistema variam bastante, desde disputas com animais nativos por território ou alimento, até servindo como vetores de parasitas. Em suma, uma espécie exótica invasora pode, de forma direta ou não, impactar gravemente o funcionamento de um ecossistema, alterando o número de indivíduos de uma população e acarretando num desequilíbrio ecológico em efeito dominó.

Apesar dos vários danos que uma invasão biológica pode causar ainda não se tem estudos dos decorrentes reflexos gerados pela introdução dos micos-de-cheiro na fauna e flora nativas do Instituto.

Conheci o Projeto Fauna no fim do ano passado através de uma amiga e me encantei pela sua proposta de conservação e pelo trabalho voluntário realizado pelos estagiários. Por conta da carência de dados sobre o mico-de-cheiro no JBRJ e somado à minha vontade de querer contribuir para o Projeto, iniciei em outubro de 2012 com o auxílio da Cris uma pesquisa voltada para o estudo dessa espécie na região.

IMG_6162No começo da pesquisa, como o meu foco principal era encontrar o grupo, realizei entrevistas com moradores e funcionários em locais estratégicos, onde já se havia tido relatos deles. Passei mais de oito meses à procura dos macacos, visitando o arboreto do Jardim Botânico e o Alto da Boa Vista, o Caxinguelê e a Vista Chinesa. Fiquei muito tempo à espera deles, mas na sexta-feira (19/7) recebi uma ligação de um contato que me disse a localização exata deles naquele instante! Na mesma hora, liguei para a Gabi e fomos correndo para lá. Ao chegar no local, ganhei o maior presente e os avistei pela primeira vez!

Comparados com o sagui e o macaco-prego, eles são bem tímidos e desconfiados, fazem pouco barulho nos galhos e quase sempre se mantém em silêncio. Por esse motivo e pelo tamanho reduzido da sua população, são dificilmente avistados por aqui.

par de saimirisOs poucos relatos que se têm desse animal na cidade do Rio de Janeiro são eventuais, e dentre eles se destacam pontos turísticos como Vista Chinesa, Mirante Dona Marta e o próprio arboreto do Jardim Botânico, mas sempre na periferia da mata, nunca no meio urbano, pois preferem viver no interior da floresta e só aparecem quando há escassez de alimento.

Os próximos passos da nossa pesquisa visam analisar e avaliar os impactos que os micos-cheiro estão causando aos animais e às plantas daqui, pois eles podem estar comprometendo o ciclo de vida de uma ou mais espécies nativas da Mata Atlântica.

Se você já os avistou ou conhece alguém que já os tenha avistado, pode contribuir para o andamento do trabalho! É só informar o seu nome, seu contato e os dados pertinentes a respeito desses bichinhos. Pela conservação da fauna nativa, agradecemos desde já a visita ao blog e a colaboração!

Fotos: Gustavo Tato

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3 respostas para Micos-de-cheiro (Saimiri sciureus) – por Mariana Vergueiro

  1. Leandro disse:

    Olá, já avistei no caminho para a Pedra do Marinheiro, trilha que começa atrás daquela caixa d’água existente no caminho da Mata Atlântica, mas isso já fazem mais de 5 anos.

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