Soltando os bichos: 2 corujas e ouriço

equipe indo para a reintrodução

equipe indo para a reintrodução

Dia bem legal! Nada melhor que ver alguns animais voltando para a natureza…

Foi dia de reintrodução: 2 corujas e o nosso queridinho ouriço Magal. (Ouriço-cacheiro em recuperaçãoOuriço-Cacheiro – filhote resgatado).

As corujas, da espécie Mocho-orelhuda (Asio clamator), vieram da Clínica de Recuperação de Animais Selvagens da Universidade Estácio de Sá, em Vargem Pequena (CRAS). Os dois animais foram resgatados em agosto, debilitados, sem sintomatologia conclusiva.

Observando a liberdade

Observando a liberdade

Foram tratados pela equipe do Dr. Jeferson Pires e, recuperados, foi pedida a autorização ao IBAMA para realizar a soltura. As 2 corujas foram soltas na área da Compostagem do JBRJ, próximo ao Horto e junto à mata ciliar. Voaram bem e esperamos que tenham uma vida longa e produtiva.

A estagiária do Projeto Fauna, Mariana Vergueiro, que realizou treinamento no CRAS, contendo a coruja para retirada das identificações.

A estagiária do Projeto Fauna, Mariana Vergueiro, que realizou treinamento no CRAS, contendo a coruja para retirada das identificações.

Já nosso pequeno Magal foi solto no caminho da Mata Atlântica, em uma trilha para poder ir cada vez mais pra dentro do mato.

Magal, o ouriço, indo para a mata.

Magal, o ouriço, indo para a mata.

Em primeiro lugar é preciso ter uma grande chance de sobrevivência. Animais debilitados não podem ser soltos, pois não tem chances reais de sobreviver. Na melhor das hipóteses o animal seria predado, mas pode morrer de fome, frio ou de dor, ferir-se, prender-se, enfim, uma série de sofrimentos que devem ser evitados, através de uma avaliação da saúde e capacidade do animal de sobreviver em vida livre. Dentro das características avaliadas com muita seriedade está o comportamento direcionado ao ser humano. A dependência, a confiança ou falta de medo podem ser fatores impeditivos para a reintrodução, pois o animal tende a buscar a companhia do homem ou sua presença, associando-nos ao alimento ou mesmo ao conforto. Animais “antropizados” quando soltos muito provavelmente serão recapturados e, caso não sejam, podem tornar-se um problema, invadindo residências ou com comportamentos alterados. Animais humano-dependentes não devem ser reintroduzidos.

Voando

É preciso verificar também as questões de origem e saúde do animal a ser solto. As solturas devem ser feitas no local de origem do resgate, ou o mais próximo possível disso. Animais de origens distintas do local de soltura podem causar os mais variados problemas, competindo com a fauna nativa, predando animais nativos, causando desequilíbrio ambiental, reproduzindo-se excessivamente ou mesmo hibridando com animais nativos. A introdução de espécies exóticas é uma das principais causas de extinção e perda de biodiversidade.

ouriço

Existe ainda a questão das doenças. Ao introduzir um animal exótico estamos introduzindo uma série de patógenos e parasitos que estão presentes nesse animal sem que estejam, necessariamente, causando-lhe algum mal. Uma vez no ambiente esses microrganismos podem causar doenças em outros animais que, regionalmente, não apresentem resistência a eles. Isso poderia causar uma epidemia e muita mortandade na comunidade nativa.

Os animais que foram soltos pelo projeto foram avaliados por biólogos e veterinários, em um trabalho conjunto entre o Projeto de Conservação da Fauna do JBRJ e a CRAS, que hoje recebe a maior parte dos animais resgatados no município do Rio de Janeiro, desenvolvendo um trabalho orientado junto ao IBAMA e ao INEA. Por mais legal que possa parecer, não solte animais indevidamente. Caso tenha algum animal que você queira soltar, busque essa orientação junto aos órgãos competentes. A natureza, como um todo, agradece.

Anúncios
Esse post foi publicado em Animais atendidos e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s