Nem tanto ao mar: o caso da lagosta

Alguns dias são bem inusitados, assim como alguns chamados…

Não chega a ser uma lagosta... Mas era um Pitú respeitável...

Não chega a ser uma lagosta… Mas era um Pitú respeitável…

Ao voltar do almoço, em uma sexta-feira nada tranquila, me deparo com um guarda do JB com uma cara entre riso e o espanto:

_Dona Gabi, tem um chamado de fauna… Não sei se eu entendi errado, mas os meninos do Projeto Social estão avisando que tem uma lagosta gigante no arboreto, lá na aleia do Pau-Mulato…

_Lagosta??

_Pois é… Lagosta… E ninguém quer por a mão porque ela está avançando…

Eu tive que rir.

E não contive a curiosidade. Invertebrados não são o meu forte, mas vamos lá… Não poderia ser uma lagosta! Ou podia? O que poderia ser? Alguns incautos compram animais na feira e soltam no JB, crentes que estão fazendo uma caridade à natureza, libertando um animal oprimido e tal. Não é o caso. Nunca é. Soltar um animal sem origem comprovada, sem acompanhamento veterinário e licença para tal é o que pode haver de mais prejudicial (depois da caça) para um ecossistema. Já falamos a beça sobre isso, mas muita gente ainda não compreende e teima em fazer essa “pequena bondade”. Enfim, não era esse o tópico…

Não chega a ser uma lagosta... Mas era um Pitú respeitável... Tudo bem que o pé da Marina é pequenininho... mas olha o tamanho do bicho!

Não chega a ser uma lagosta… Mas era um Pitú respeitável…
Tudo bem que o pé da Marina é pequenininho… mas olha o tamanho do bicho!

Fomos pro campo, com um gancho, um puçá e uma caixa de transporte. Nunca se sabe… Encontrei os meninos do projeto social no Lago Frei Leandro, todos falando ao mesmo tempo do tamanho e da força das pinças daquela besta feral desconhecida que vagava pela aleia do pau-mulato. Me levaram ao animal.

Tá, era grande sim, mas nem tanto… Mas eu vinha pensando em lagostas e aquele era só um grande Pitú de água doce. Invocado, chateado com tanta atenção e meio perdido no gramado. Provavelmente a chuva o deslocou de seu ponto de caça e ele ficou perdido na tentativa de voltar.

Pitú na caixa

Pitú na caixa

Caixa de transporte. O gancho e o puçá pareciam demais prá um bicho como aquele, mas eu não queria meus dedos expostos às belas pinças afiadas que ele estalava de tempos em tempos. Não chegava a ser uma lagosta, mas era quase um celular, desses antigos startacs que abriam um flip na hora de atender.

Quando fui pegar, o “flip” começou a

Fêmea de pitú com ovas.

Fêmea de pitú com ovas.

bater, no mesmo movimento que fazem as lagostas na hora de fugir do predador, o que sempre dá um susto grande na gente, e acaba com o bicho no chão, em tentativa de fuga. Mas, acomodado na caixa, o grande Pitú do Pau Mulato foi transportado para uma área que parecia perfeita: chão pedregoso/enlameado, peixinhos e esconderijos. Ao soltar, verificamos que era uma fêmea e, bendita primavera, estava carregada de ovas.

Os meninos do Projeto Social, como sempre, foram de grande ajuda, assim como os guardas. Tanto na localização do animal quanto na infinita criação de piadas que alegraram a sexta-feira chuvosa. E eu, que não sou muito de invertebrados, acabei aprendendo um bocado com eles.

Com a ajuda do Rogério Mateus, soltando a Pitú.

Com a ajuda do Rogério Mateus, soltando a Pitú.

Linda Pitú

Linda Pitú

Aí o Massao se interessou pelo bicho e resolveu pesquisar… descobrimos que ele está classificado como “vulnerável” e ele preparou as informações na “Ficha do Bicho” pitu – Macrobrachium carcinus.

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