Macacos-prego (Sapajus nigritus) – informações

macaco_prego3Esse post foi escrito em conjunto pela Cris, Anderson (estagiário-voluntário) e José Gustavo (o Zé, ou macho-véio para os íntimos, biólogo ex-estagiário-voluntário do Projeto).

Macaco–prego é o nome popular dos primatas pertencentes ao gênero Sapajus presentes em quase todo o Brasil. A espécie Sapajus nigritus é encontrada nos resquícios de Mata Atlântica das regiões sudeste-sul brasileiras.

O Parque Nacional da Tijuca é um Unidade de Conservação importante e essencial para a saúde da cidade do Rio de Janeiro. Sua fauna original de primatas era composta pelo muriqui (Brachyteles arachnoides), bugio (Alouatta guariba), macaco-prego (Sapajus nigritus), sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita) e em baixas altitudes o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia). Após o crescimento urbano às custas de sucessivos desmatamentos, e todos os impactos consequentes da proximidade humana, como caça, introdução de espécies exóticas, etc., a maioria dessas espécies sucumbiu e foi extinta localmente. Somente o macaco-prego conseguiu sobreviver e pode ser encontrado atualmente no fragmento do PNT e JBRJ, além de espécies introduzidas pelo homem como o sagui-de-tufo-branco (Callithrix jacchus), sagui-de-tufo-preto (Callithrix penicillata) e o mico-de-cheiro (Saimiri sciureus). Fora que outras espécies de macacos-prego foram soltas na região, que podem ter hibridado com a população local e comprometido a espécie original.

A sobrevivência a longo prazo do macaco-prego pode estar com os dias contados, já que se encontra ameaçado de extinção (Near threatened). Vivemos recentemente no bairro do Jardim Botânico dois casos mais graves que comprometeram a população local de macacos-prego. Em 2008 uma grave epizootia, causada por vírus não identificado, provocou a morte de 70 animais na região. Só no JBRJ, 15 macacos-prego morreram em 2 semanas, mais da metade do grupo na época. E em 2012 houve, na Praça Pio XI, um episódio em que um infeliz morador envenenou os animais que entravam pelas janelas dos apartamentos em busca de comida.

Macaco-prego jovem, sem tufos formados

Macaco-prego jovem, sem tufos formados, comendo frutos de palmeira

Os macacos-prego são bastante generalistas em termos de comportamento e alimentação. Exibem flexibilidade, diversidade, e complexidade comportamental, que os permite viver em áreas antropizada, próximas a centros urbanos, e conviver com humanos. São onívoros e se alimentam dos mais variados tipos de alimentos: frutos, folhas, insetos, ovos e pequenos vertebrados. Tem grande importância na ecologia do ambiente, dispersando sementes e controlando a densidade populacional de outras espécies ao predarem invertebrados e vertebrados. São um dos poucos primatas, por exemplo, a ter grande parte da sua dieta composta por frutos de palmeiras, que normalmente são muito resistentes e requerem uso de ferramentas.

DSCN0352_1É um primata de porte médio, arborícola e diurno. O macho adulto é um pouco maior que a fêmea adulta e possui tufos de pelos negros que podem lembrar “chifres” por serem separados em dois. O macaco-prego pode viver cerca de 30 anos e se organizam em grupos compostos de um macho adulto dominante (alfa), outros machos adultos subordinados, fêmeas adultas, sub-adultos, jovens e infantes. O macho alfa se sobressai em alguns comportamentos como o acesso a fontes de comida, intervenções em brigas e acasalamento. O tamanho do grupo pode variar de 6 a 30 indivíduos, dependendo do tamanho da área de vida ou fragmento disponível, condições antrópicas e disponibilidade de comida. A vida em grupo é benéfica por manter a segurança evitando a predação e por haver maior controle e vigilância do território, recursos alimentares e das fêmeas do grupo. Os machos deixam os seus grupos quando atingem a maturidade sexual, entre 5 e 9 anos de idade, e tentam entrar em outros grupos ou formam novos grupos. As fêmeas costumam ficar no grupo original e atingem a maturidade aos 4 anos, mas o primeiro parto ocorre aos 7 anos de idade, onde nasce normalmente 1 filhote a cada 2 anos, que desmamam com 1 ano e meio de vida. O nascimento e o desmame acontecem em épocas de alta disponibilidade de alimentos, de outubro a fevereiro.

O declínio das áreas de matas nativas no sudeste gera grande pressão sobre a espécie, diminuindo recursos, aumentando o risco de epizootias, diminuindo a diversidade genética da espécie, e, assim, deixando-a mais vulnerável. Outro problema que os macacos–prego sofrem é a pressão urbana provocada pelo crescimento da cidade para dentro das florestas, que provoca um maior encontro com humanos. A diminuição de oferta natural de espaço e alimentos faz com que os primatas entrem em residências à procura de comida, causando conflitos e prejudicando esses animais já ameaçados. Veja mais sobre isso no vídeo aqui.

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No Projeto de Conservação da Fauna do JBRJ, realizamos pesquisas sobre ecologia, comportamento e genética, importantes para embasar futuros planos de manejo e conservação da espécie.

Leia mais sobre macacos-prego em:

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Sobre Cris

Carioca, flamenguista, bióloga, primatóloga, viajante, casada. Metida a fotógrafa.
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