Gavião Carijó em recuperação

Gavião Carijó - (Rupornis magnirostris)

Gavião Carijó – (Rupornis magnirostris)

Tem uns animais que realmente despertam a imaginação das pessoas. Gaviões e falcões são assim. Todos acham que são animais poderosos, raros e misteriosos. Predadores quase místicos. Pois bem. São lindos, são eficientes, são desenvolvidos para a caça. Mas nada tem de poderes místicos e nem tanto mistério assim…

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Gavião Carijó - (Rupornis magnirostris)

Gavião Carijó – (Rupornis magnirostris)

São relativamente frágeis, a maioria das espécies, mesmo os imponentes e enormes gaviões reais (Harpia harpyja) sofrem com a influência do homem, como a perda de habitat e outros fatores. Predadores como gatos e cães domésticos podem realmente afetar as populações de várias espécies de rapinantes urbanas ou periurbanas. Pipas e suas linhas causam centenas de fatalidade todos os anos, ferindo, muitas vezes de forma irreversível, rapinantes e outras aves, independentemente da espécie.

Gavião Carijó - (Rupornis magnirostris)

Gavião Carijó – (Rupornis magnirostris)

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Mas dessa vez foi o calor… Esse calor incrível que deixou todo mundo louco na cidade afetou os animais também. Gaviões praticamente não bebem água e usam os fluidos das presas na sua hidratação. Com esse calor, as possíveis presas ficam mais escondidas e a perda de líquidos é ainda maior… Acabou ficando difícil para um jovem gavião carijó, que começava as suas aventuras no Arboreto.

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Gavião Carijó - (Rupornis magnirostris)

Gavião Carijó – (Rupornis magnirostris)

O carijó, (Rupornis magnirostris), é o gavião mais comum do Rio de Janeiro. Seus gritos são ouvidos por toda a cidade, quando ele se empoleira em um galho ou poste e observa a vida lá em baixo, esperando a presa certa, e mesmo em voo. São rapinantes eficientes e oportunistas, com alimentação bastante variada. Acabam por se beneficiar da proximidade com o homem, caçando insetos e roedores associados ao lixo, usando as construções para sua vigília e pastos e campos abertos para caça.

Gavião Carijó - (Rupornis magnirostris)  Indução de alimentação

Gavião Carijó – (Rupornis magnirostris)
Indução de alimentação

Fazem ninhos nos topos de árvores e as fêmeas chocam 2 ovinhos por mais ou menos 30 dias,  enquanto os machos trazem a comida. Existem grandes chances de a reprodução coincidir com o verão, e em cerca de 3 meses após o nascimento os filhotes já estão prontos para voar. Os pais são protetores com suas crias, podendo mesmo avançar em pessoas que, inadvertidamente, se aproximem do ninho. .

Gavião Carijó - (Rupornis magnirostris)

Gavião Carijó – (Rupornis magnirostris)

Mas esse jovem, que não sabemos se é um macho ou uma fêmea, estava no chão, no meio do bambuzal, bico aberto de calor e prostrado entre as folhas secas. Por sorte o Super Alexandre Machado ouviu o chamado da guarda do JB e resolveu que encontraria o pobre. Quando voltei do almoço, ele já me ligava.

A sorte de parar para descansar ao lado daquilo que você procura... Gavião Carijó - (Rupornis magnirostris)

A sorte de parar para descansar ao lado daquilo que você procura…
Gavião Carijó – (Rupornis magnirostris)

Segundo seu relato, foram uns 30 minutos de procura, até que, cansado, sentou-se na beirada do canteiro para descansar e pensar. E pimba! Estava sentado ao lado do carijó. O resgate foi fácil. Ele estava exausto e desidratado.

Gavião Carijó - (Rupornis magnirostris)

Gavião Carijó – (Rupornis magnirostris)

Na sala do Projeto demos um pouco de água e glicose. Ele deu uma melhorada. Estava magrinho e parece que saiu do ninho na pior fase do verão… Caça impossível. Os testes de voo foram inconclusivos, ou ele está fraco demais pra voar, ou ele ainda não sabe voar… As plumas e o estado das penas mostram que é mesmo um jovem adulto. . O tratamento receitado pelo nosso veterinário parceiro, Dr. Jeferson Pires, do CRAS-UNESA, foi engordar e treinar o voo.

E observar. Agora o Sr. carijó está no viveirão, ganhando carninhas, insetinhos e cálcio. Alimentar um gavião, sem fazer que ele fique manso, é uma tarefa gratificante, emocionante e faz bem a alma. Ele recebe 40 gramas de carne adicionada de cálcio, algumas baratinhas e outros agrados sempre que dá. Mas continua com medo de nós (e nós dele). E engordando. Em breve, espero, estará pelos céus da cidade, com seu inconfundível grito, livre, leve (mas nem tanto) e solto.

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2 respostas para Gavião Carijó em recuperação

  1. Ali Sous disse:

    Meus caros, desde o verao de 2015 venho observando o comportamento dos carijós que tem ninho na árvore bem ao lado de casa. Dessa vez um casal de gaviões carijó tiveram seus dois filhotes e em menos de 60 dias um dos filhotes voou e no outro dia abandonaram o ninho deixando um dos filhotes pra trás. Dia 12 de Janeiro ele completará 90 dias. Ele parece não querer deixar o ninho e apesar de voar não faz vôos com distância maior q 100 metros. Seus olhos não tem a cor amarela viva e ele vive a “piar”. Vcs acham q ele conseguirá vingar e deixar o ninho em breve ?
    Vcs acreditam q ele tem um déficit de desenvolvimento ou o irmão que já deixou o ninho com a mãe é que é muito precoce?

    • gabiheli disse:

      Caro Ali.
      Não tenho elementos para verificar o que o sr relata. Vamos acompanhar e aguardar que o filhote voe sozinho. A não interferência, geralmente, é a melhor interferência. Mande notícias!

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