O Lago das Tartarugas – Projeto Casco Firme

Lago das TartarugasO “Lago das Tartarugas” é um Lago artificial situado na entrada do Arboreto do Jardim Botânico do Rio de Janeiro onde habitam vários “Tigres d’ água”, que são cágados exóticos à fauna da Mata Atlântica.  Começa que não são tartarugas: são cágados. Tartarugas, cágados e jabutis são todos quelônios, mas são diferentes. Convencionou-se: tartaruga é sempre marinha, cágados são de água doce e jabutis são terrestres.

Lago das Tartarugas

Lago das Tartarugas

As “tartaruguinhas”, na verdade, cágados, do lago das tartarugas são todos animais abandonados no Jardim Botânico ao longo dos anos por frequentadores e em, determinado momento, o Laguinho foi reformado para comportar os animais e eles ganharam um lar. Foram recolhidos, agrupados e alojados no “Laguinho das Tartarugas” para melhor controle e cuidado.

Lago das TartarugasEsses animais são todos exóticos e espécies exóticas são uma das maiores causas de perda de biodiversidade no mundo (ok, não vou voltar com esse assunto…). Por serem animais exóticos e, na maioria das vezes híbridos, não há possibilidade de retorno a natureza.

IMG_5871Os animais foram adotados de coração pelos visitantes do JBRJ e constituem uma atração a parte e inesperada.  Hoje contamos com uma população estimada de 46 indivíduos. E fazemos o possível para que essa população não aumente.

Lago das Tartarugas

Lago das Tartarugas

O abandono é combatido de forma mais eficiente e vigilante, mesmo que, vez ou outra, alguém sem coração consiga deixar alguma vítima em nosso Jardim. Os filhotes são recolhidos e destinados segundo orientação dos órgãos responsáveis.

Ok, Isso é um JABUTI!! Olha os pezinhos dele: são arredondados, adaptados para vida na terra. O casco também é mais arredondado e eles não flutuam.

Ok, Isso é um JABUTI!!
Olha os pezinhos dele: são arredondados, adaptados para vida na terra. O casco também é mais arredondado e eles não flutuam.

Isso é uma Tartaruga!! Essa daí foi tratada no CRAS. Muitas vezes elas comem coisas como plásticos, ou ficam presas em redes de pesca. As patas são adaptadas para uma vida toda no mar.

Isso é uma Tartaruga!!
Essa daí foi tratada no CRAS. Muitas vezes elas comem coisas como plásticos, ou ficam presas em redes de pesca. As patas são adaptadas para uma vida toda no mar.

Outra coisa importante: jabutis não nadam, e, sim, eles morrem afogados se colocados em um corpo d’água de onde não possam sair sozinhos. Jabutis não boiam, não tem poder de flutuação, são fortes e resistentes a várias adversidades, mas não seriam capazes de sobreviver no Lago das Tartarugas, pois as bordas são íngremes demais para que eles saiam sozinhos da água.

A reprodução também é um problema, uma vez que são animais exóticos e, muitas vezes, híbridos. Tem grande potencial invasor e a população precisa ser controlada. Aqui as ninhadas do verão, que serão destinadas aos órgãos competentes.

A reprodução também é um problema, uma vez que são animais exóticos e, muitas vezes, híbridos. Tem grande potencial invasor e a população precisa ser controlada.
Aqui as ninhadas do verão, que serão destinadas aos órgãos competentes.

Um foi jabuti abandonado no Laguinho esse ano e, quando o encontramos, já estava afogado. Foi direto para o fundo e afogou-se aos poucos. Tiramos da água vivo, mas ele não aguentou. Uma pena, pois, pelo tamanho, já devia ser o animalzinho de alguém há alguns anos.

Marco Massao, de Minion. Manejo realizado em 2011

Marco Massao, de Minion.
Manejo realizado em 2011

Alguém que não conhecia o animal que criava, e que um belo dia resolveu abandoná-lo no pior lugar possível: em uma piscina de cágados. Um animal é uma vida, é preciso responsabilidade e cuidados específicos. Conheça seus pets.

De qualquer modo, NUNCA abandone um animal de casa. Busque ajuda dos órgãos responsáveis. Citando “O Pequeno Príncipe”: ‘Tu és responsável por aquilo que cativas’.

Guilherme, de Minion. Terminou encharcado, mas fez um monte de resgates! Valeu, Guilherme!

Guilherme, de Minion.
Terminou encharcado, mas fez um monte de resgates! Valeu, Guilherme!

Os cuidados com os cágados incluem exames periódicos de saúde, limpeza e renovação no lago, alimentação adequada e outras coisas corriqueiras.   Os animais recebem alimentação adequada e em quantidades adequadas. Não devem ser alimentados pelo público. Aliás, nenhum animal deve ser alimentado pelo público!!

 

Com a ajuda do Dr. Jeferson Pires, pudemos identificar, sexar, medir e verificar as condições de saúde dos animais.

Com a ajuda do Dr. Jeferson Pires, pudemos identificar, sexar, medir e verificar as condições de saúde dos animais.

Em 09 de abril demos o pontapé inicial do Projeto “Casco Firme”: Todos os cágados foram capturados (menos uns teimosinhos que se esconderam!) e examinados, fotografados e classificados pela equipe, com a ajuda imprescindível do Dr. Jeferson Pires, Veterinário responsável pelo CRAS, colaborador do Projeto Fauna.

Durante o exame, os animais foram fotografados e medidos. O casco e o plastrão ajudam a identificar individualmente cada animal.

Durante o exame, os animais foram fotografados e medidos. O casco e o plastrão ajudam a identificar individualmente cada animal.

Foi uma tarde de ‘Minions’, com caça às ‘tartaruguinhas’ e muito aprendizado. Dos 40 animais capturados, contabilizamos 25 fêmeas, 10 machos e 5 animais com características indefinidas.

um montão de cágados

um monte de cágados

um monte de cágados

Praticamente todos têm características de hibridação, sendo alguma coisa entre a espécie do Sul do Brasil, (Trachemys dorbigni) e a espécie Norte Americana, (Trachemys scripta); em graus mais ou menos misturados.

A maior de todas: Pipa, a Rainha do Laguinho

A maior de todas: Pipa, a Rainha do Laguinho

Menos a Pipa. A Pipa é a maior ‘tartaruguinha’ do lago e é uma espécie chamada Pseudemys concinna, que também é Norte Americana, mas é bem diferente das outras.

Cágados mordem, muito, e eles não ficaram muito felizes em serem manipulados pelos voluntários e pelo veterinário, mas, no final, deu tudo certo.

No Lago Frei Leandro temos a presença de um cágado bem diferente dos tigres d'água: trata-se do Pescoço-de-cobra.

No Lago Frei Leandro temos a presença de um cágado bem diferente dos tigres d’água: trata-se do Pescoço-de-cobra (Acantochelys radiolata). Nas fotos: Um filhotinho (Phrynops geoffoanus), encontrado no Arboeto e um adulto (Acantochelys radiolata), residente do Lago Frei Leandro.

Em breve mais notícias do Projeto Casco Firme, com filhotinhos e controle de reprodução.

 

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