Salvando um Gambazinho!

GambáPost com a colaboração de Bruno Valle.

Os gambás são animais que geralmente não são queridos pelas pessoas. Além de terem a fama de exalar um cheiro horrível, muitas vezes são confundidos com ratos!
Gambás não são ratos e não vivem em esgotos. São MARSUPIAIS. Isso mesmo: Primos (distantes, ok…) dos cangurus e dos fofíssimos coalas. São animais de hábitos noturnos e levam uma vida geralmente solitária, buscado seus parceiros apenas na época da reprodução.

Nessa caixa 36 filhotes de gambá para soltura. Foram todos recebidos no CRAS_UNESA e em menos de 3 meses. A exansão imobiliária pode ser um dos responsáveis pelo aumento no número de resgates e internações dessa espécie.

Nessa caixa 36 filhotes de gambá para soltura.
Foram todos recebidos no CRAS_UNESA e em menos de 3 meses.
A exansão imobiliária pode ser um dos responsáveis pelo aumento no número de resgates e internações dessa espécie.

Devido a perda de seu habitat natural e a expansão imobiliária que adentra territórios onde antes havia apenas mata, muitos gambás costumam aparecer nas residências, seja em busca de alimentos, seja apenas de passagem, quando utilizam muros, telhados e fios para se locomover. E geralmente não são bem vindos. Muitos são mortos pelas pessoas e outros atacados por cães ou outros animais domésticos. Suas defesas incluem o mau cheiro, que nem é tão forte assim, mas geralmente se fingem de mortos, em um comportamento chamado de tanatose. A maioria dos predadores se desinteressa por presas mortas, mas nossos cães domésticos, não…

gambá

Arquivo Fauna Gambá

Esse personagem da nossa história de hoje não foi atacado por nenhum cão nem perseguido por algum humano com uma vassoura em punho. Bom, não que a gente tivesse visto. Este jovem teve o azar de cair em um dos cursos d’água que cortam o Jardim Botânico. Por ser um animal de hábitos noturnos, ele provavelmente caiu durante a noite e só foi visto na manhã seguinte pelo nosso voluntário Bruno Valle (aquele das corujas e rapinantes). Foi uma noite muito fria no RJ e nosso amigo gambá passou horas se tremendo na água gelada

Dentro d'água, sem conseguir sair...

Dentro d’água, sem conseguir sair…

sem conseguir sair de onde estava, pois as paredes íngremes e úmidas impediam a fuga até desse talentoso escalador… Se ele continuasse lá por mais tempo, morreria por hipotermia!
Nosso voluntário estava desesperado ligando para a sala do Projeto Fauna para pedir ajuda e não conseguia contato: Nesse mesmo instante eu dava uma aula para os meninos do Projeto Social do JBRJ, preparando a galera para o OrquidaRio e a grande quantidade de visitantes que chega com esse evento.

Arquivo Fauna Gambá

Arquivo Fauna
Gambá

A solução era partir pra ação: tirar o tênis e pular no rio para salvar o jovem gambá, pois cada minuto que passava poderia significar a vida do gambazinho. Mas com uma nova tentativa de contato, Bruno conseguiu pedir ajuda para nossa outra estagiária, Mariana Vergueiro (a dos Saimiris), que foi correndo ao seu encontro com um puçá. Pra quem não sabe, o puçá é uma ferramenta imprescindível no dia-a-dia de quem trabalha com fauna: um aro de ferro com uma rede, tipo aqueles pra pegar borboletas, mas maior, preso em um cabo de madeira. Polivalente! Os dois conseguiram “pescar” o gambá da água sem muita resistência, já que ele não teve forças para lutar.

Esse era o local onde ele ficou preso. Não conseguia escalar as paredes e nem continuar caminhando pela água.

Esse era o local onde ele ficou preso. Não conseguia escalar as paredes e nem continuar caminhando pela água.

O gambazinho jovem, começando a sua independência, foi levado para a sede do Projeto onde foi seco com cuidado e depois colocado para pegar um solzinho regenerador, pois estava parecendo uma pedra de gelo. É preciso muito cuidado para expor animais ao sol! Qualquer descuido e o sol passa de regenerador para fatal. Sempre use áreas com sombreado, para o animal poder se esconder do sol, regulando a temperatura, e fique de olho.

Arquivo Fauna Gambá

Arquivo Fauna
Gambá

Depois de seco e reaquecido, o filhote ganhou uma banana (carboidratos e açúcar! Melhor fruta do mundo!) e dormiu um sono tranquilo e merecido depois do sufoco que passou durante a noite gelada. No fim do dia ele foi solto no Arboreto, para seguir sua vida, mas, dessa vez, esperamos que ele não resolva se aventurar perto dos rios!

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3 respostas para Salvando um Gambazinho!

  1. Marcia disse:

    AOnde posso entregar um filhotinho que aparecéu na minha casa. Muito fofo mas acho que ele tem que voltar pra natureza.meu Zap eh …
    MARCIA

    • Cris disse:

      Olá, Marcia
      Você precisa ligar para o número 1746 da Prefeitura. Eles vão te direcionar para a Patrulha Ambiental. Peça que eles recolham o filhote com você.
      Boa sorte. Abraços

  2. Pingback: Retorno | Núcleo de Conservação da Fauna do JBRJ

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