De Volta ao Ninho

Mariana e o Bico-chato

Foto Alexandre Machado Tolmomyias sulphurescens – Mariana e o Bico-chato filhote resgatado

Esse post foi escrito com a ajuda da Mariana Vergueiro, nossa estagiária mega proativa.

A Natureza trabalha em ciclos. Sempre temos uma temporada de acasalamentos na primavera, com flores e rituais de cortejo. Mesmo aqui no RJ, onde as estações são pouco definidas, podemos ver essa agitação que precede o calorão. E no calorão, temos filhotes. Dezenas… É um novo ciclo.

Nesse momento os pais tem que ensinar os filhotes a “se virar” no mundo selvagem. Ou quase selvagem, como no JB, estabelecendo novas gerações no ambiente.

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Foto Alexandre Machado Tolmomyias sulphurescens – filhote resgatado

Mas nem sempre as coisas ocorrem como são planejadas. E foi esse caso no dia 23 de dezembro, quando um filhote de passarinho foi encontrado fora do seu ninho. Na manhã de terça-feira, em pleno recesso, as voluntárias Mariana Vergueiro e Gessica Machado foram avaliar a situação. O Suuuper Alexandre Machado, câmera em punho, foi junto (as fotos nesse post são dele e do Guilherme Nunan, nosso voluntário!).

foto Guilherme Nunan

foto Guilherme Nunan Retornando o filhote ao ninho

Ao chegarem no canteiro do Cômoro do Frei Leandro, viram um filhote de passarinho bico-chato (Tolmomyias sulphurescens) no gramado. Ele estava embaixo de uma palmeira espinhenta (Aiphanes aculeata) e, na folha da palmeira, acima dele, havia um ninho. A mãe estava alimentando os filhotes do ninho e não parecia dar importância pra ele, que piava com todas as forças.

O dia estava quente, o local é muito frequentado e as pessoas começavam a se juntar. Na maioria das vezes o melhor é não se meter, mas, como no JB temos muita interferência humana, algumas vezes é necessário dar uma forcinha pra natureza. Como após um bom tempo de observação depois a mãe ainda não tinha tomado a iniciativa, as meninas foram ajudar. O filhotinho recebeu alguns cuidados, foi reidratado e recolhido para que recebesse cuidados parentais.

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Foto Alexandre Machado: Tolmomyias sulphurescens – filhote resgatado

No dia seguinte, insatisfeita com o desfecho do caso, a galera iniciou a operação para repor o filhote de volta no ninho. Levaram o filhote de volta ao local. O melhor pra qualquer passarinho, qualquer animal, na verdade, é ser cuidado por seus próprios pais, portanto, sempre que possível, é isso que devemos tentar. Foi preciso um momento mais propicio e grata surpresa, a mãe, que estava alimentando os outros filhotes, passou a dar atenção para ele que estava no chão! Ela o alimentou diversas vezes enquanto era observada, então foi decidido colocá-lo de volta no ninho.

foto Guilherme Nunan

foto Guilherme Nunan

Nunca é fácil… A primeira escada era pequena e, sendo dia de natal, não tinha como pegar outra maior. Mais uma noite no orfanato… Em pleno natal!

Para a felicidade de todos (nós do Projeto Fauna e os pais de bico-chato) na sexta feira dia 26, voltamos no Cômoro do Frei Leandro e repetimos o procedimento. Com o Josival pra ajudar, porque ninguém é mais habilidoso com escadas! E uma escada “de verdade”.

foto Guilherme Nunan

foto Guilherme Nunan: no ninho

Dessa vez, o passarinho não só foi alimentado no gramado como também arriscou alguns voos para seguir a mãe. Imaginamos que a queda do ninho tenha acontecido dessa forma, numa tentativa de voar. Assim que a escada (beeeem maior) chegou,  o filhotinho foi levado pro ninho e realocado, com toooodo cuidado, no seu lugar. Dentro do ninho, haviam mais dois filhotes bem grandinhos. O espaço no ninho já era pequeno para os três filhotes, o que fortalecia a teoria de que eles estavam começando a aprender a voar.

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Foto Alexandre Machado: Tolmomyias sulphurescens – ninho

Assim que o passarinho foi posto no ninho, olhares ansiosos aguardaram para ver a mãe cuidando dos seus três filhotes. Muito bom ver a tarefa realizada! Os 3 em breve já estarão seguindo com ela pelos ares do Jardim Botânico, aprendendo a caçar (esta espécie é insetívora) e a se virar sozinhos.

 

 

Essa é mais uma história do Projeto Fauna com final feliz e a partir dela nós alertamos: sempre que vir um filhote de ave no chão, não o retire imediatamente: aguarde e observe de longe, talvez seja um adolescente junto de seus pais aprendendo a voar! Observe se ele está seguro e na sombra, pois quanto menos interferência, melhor para a natureza!

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