O Prego Pererê

Pererê no recinto para recondicionamento físico.

Pererê no recinto para recondicionamento físico.

O Projeto Fauna recebeu um jovem com uma história bem difícil, que compartilhamos com vocês. Esse cara, bem na fase em que começou a procurar um lugar pra chamar de seu, a vida mostrou seu lado mais triste. Um jovem macaco-prego urbano, na idade em que deixa a sua família em busca de um grupo aonde possa se inserir, ainda sem as manhas de passar nos fios e postes da cidade, sofreu um grave acidente elétrico.

Exames finais no Pererê na Clínica de Recuperação de Animais Selvagens na UNESA.

Exames finais no Pererê na Clínica de Recuperação de Animais Selvagens na UNESA.

Foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros, no Cosme Velho. Sua vida estava, definitivamente, por um fio. A perna direita, inutilizada, era apenas dor. O pobre animal teria morrido se não tivesse caído depois do choque, se não tivesse sido avistado por pessoas que, compadecidas, chamaram o Corpo de Bombeiros, se os bombeiros não tivessem corrido ao resgate e, se, após o resgate ele não tivesse sido, as pressas, levado para a Clínica de Recuperação de Animais Selvagens e operado pela equipe do Dr. Jefferson Pires.

Esse é o "João Grandão". O braço dele ficou gravemente ferido no ano passado, assim como seu joelho. Nessa mesma época, nos últimos meses do ano, o "Estranho", um outro macho adulto, e outros indivíduos do grupo também ficaram bastante feridos. Esses ferimentos são causados por brigas e disputas de hierarquia. São processos normais na estrutura social desses animais. São muito resistentes e resilientes, porém, e a recuperação, esse ano foi completa para todos do grupo do Arboreto.

Esse é o “João Grandão”. O braço dele ficou gravemente ferido no ano passado, assim como seu joelho. Nessa mesma época, nos últimos meses do ano, o “Estranho”, um outro macho adulto, e outros indivíduos do grupo também ficaram bastante feridos. Esses ferimentos são causados por brigas e disputas de hierarquia. São processos normais na estrutura social desses animais. São muito resistentes e resilientes, porém, e a recuperação, esse ano foi completa para todos do grupo do Arboreto.

Era tanto “se” que fica pouco espaço para qualquer outra coisa. O animal foi amputado na altura do joelho. O olho esquerdo ficou com sequelas. É um pequeno e inteligente macaco com um estranho destino. A primeira recuperação foi no CRAS, onde ficou no pós-operatório. Então o destino dele acabou passando pelas nossas mãos. A melhor opção de soltura foi o JBRJ, através do Projeto Fauna e foi expedida uma licença pelo IBAMA para que essa tentativa fosse realizada.

Pererê chegando no JBRJ

Pererê chegando no JBRJ

 

 

Macacos-prego migram em certa idade, buscando uma nova família e achamos que foi nesse momento que ele sofreu o acidente. Esperamos que o grupo do JB possa recebê-lo. Animais amputados ou com enormes cicatrizes não são incomuns, seja por acidentes ou por conflitos entre os próprios animais. Ainda assim, esses sobreviventes, em vida livre, tem uma existência perfeitamente normal e adaptada. Tem um cara famoso que dá pinta na Mesa do Imperador, sem um braço e uma perna.

No processo de apresentação do Pererê, usamos panos com o odor dele, espalhados pelo arboreto, junto com um suborno para o grupo.

No processo de apresentação do Pererê, usamos panos com o odor dele, espalhados pelo arboreto, junto com um suborno para o grupo.

No JB mesmo, com a chegada da primavera e os ânimos acirrados da reprodução, nossos meninos “João Grandão” e “Estranho” estavam aos retalhos, o “Mr. Big” (de longe, meu favorito) estava cheio de machucados. Essa situação, que é perfeitamente normal, gerou uma série de comunicações pelos visitantes. O prego que chamamos de “Estranho” é novato no grupo. Migrou no ano passado, se estabelecendo na nova família, não sem algumas brigas. É um jovem adulto, mais velho, na época, que o “Pererê”, nosso herói, é agora.

Pois é. Tivemos que batizá-lo de Pererê…

O grupo observando o novato

O grupo observando o novato

Para tentar facilitar a vida do Pererê fizemos algumas experiências… O cheiro dele chegou ao arboreto antes mesmo dele. Semanas antes já estávamos espalhando o cheiro dele em lugares estratégicos, com panos especialmente sujos com o cheiro dele. O grupo passou a associar o cheiro a boas experiências. O cheiro dele se espalha pelo arboreto e o grupo passa a conhece-lo, ainda que, para nós, esse cheiro nem exista muito.

atividades no recinto

atividades no recinto

Esperamos que isso tenha angariado alguma simpatia, e pale que vimos, parece que sim.

Fizemos uma reabilitação muscular para ele aprender, aos poucos, a usar os membros que restaram com maior propriedade. Com o mínimo de contato com a equipe possível, ele continuou temendo o homem, como precisa ser para sua sobrevivência.

(clique aqui e aqui para ver algumas atividades no recinto)

 

o grupo curioso com o novato

o grupo curioso com o novato

Depois passamos a levar o Pererê, dentro de uma gaiola, em segurança, para que o grupo o visse. Sempre rodeado de subornos. O grupo precisava pensar:

_Ah! Aquele cara que traz as coisas gostosas. Que legal ele.

Os adultos ignoraram o Pererê, mais ou menos como fazem com a maioria dos jovens, mas a garotada ficou muuuuito curiosa, chegando, cautelosamente, dia após dia, cada vez mais perto até tocar a gaiola e realmente estabelecer algum contato.

Projeto Fauna JBRJ

Pererê

Não há qualquer garantia de que o grupo o aceite, que ele sobreviva ou que venha a fazer parte do grupo do JB, que não fuja para as “montanhas” e integre um grupo lá, que nunca venhamos a saber o desfecho da história… Podem acontecer inúmeras possibilidades, das mais felizes às mais dramáticas, mas certamente fizemos o possível para que ele tenha todas as chances.

Ele foi solto em dezembro, com o máximo de esforço para sua reabilitação.

Nas últimas semanas de dezembro o Pererê foi avistado 2 vezes. Estava sozinho. Aguardamos fotos de todos!

Aqui o vídeo da SOLTURA

conhecendo o novato

conhecendo o novato

Se você sabe de locais com gatos de luz, com instalações elétricas defeituosas, com acidentes elétricos, avise a Light e exija que sejam feitos os reparos. A eletricidade mata centenas de animais todos os anos. Os fios são o corredor que existe entre as árvores e a fauna urbana utiliza essas pontes suspensas para não morrer atropelada… E cada dia temos menos árvores… E mais fios.

 

retorno à natureza.

Soltura do Pererê. O retorno à natureza.

Agradecemos ao Pessoal do La Bicyclette, pela farta ajuda com o suborno. Vocês foram demais!

Em tempo: Nunca alimente animais selvagens, além de não ser necessário, sempre pode trazer problemas, tanto para os animais quanto para as pessoas.

Pererê

Pererê na natureza

 

E: agradecemos a todos que mandarem fotos e notícias do Pererê… Estamos no campo procurando, mas quanto mais olhos, melhor…

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