Monitoramento de Predação de ninhos.

Projeto de monitoramento de predação de ninhos

Projeto de monitoramento de predação de ninhos

Esse texto foi desenvolvido com a colaboração do voluntário André Miranda. O JB é famoso pelos seus pássaros. E é uma enorme variedade: Mais de 150 espécies de aves podem ser avistadas pelo Arboreto e Área de Mata, com diversidade o ano todo. A própria localização do JB, junto à mata, com muita oferta de alimento, de locais para ninho, entre outras características, favorece a grande quantidade de espécies e a nidificação. Isso significa um monte de ninhos.

Aqui: o Projeto de monitoramento de predação no O Globo

Saira-sete-cores – Tangara seledon

Saira-sete-cores – Tangara seledon

Com cerca de 1800 espécies, o Brasil tem um colorido especial para ornitólogos e admiradores de pássaros. No RJ são cerca de 700 espécies. Junto à Floresta da Tijuca e ao JBRJ, podemos, com sorte, notar a presença de cerca de 150 espécies, sem um esforço de campo assim tão intenso. Segundo o voluntário André Borja e o prof. Rajão Da PUC-RJ, essas mais de 150 espécies fazem ninhos ao longo de todo o ano, com maior concentração entre agosto e novembro, quando há um pico reprodutivo.

Bem-te-ví foto Núcleo de Fauna

Bem-te-ví
foto Núcleo de Fauna

Algumas aves bem comuns podem ser avistadas sem muito esforço. Diferentes Bem-te-vís e Sabiás, dos mais comuns laranjeiras até os mais diferentes, estão sempre à vista em pátios ou sobre mesas. Somam-se a eles o João-de-barro, Lavadeira-Mascarada, Suirirí-cavaleiro, Suiririzinhos, Canarinhos-da-terra, Coleirinhos, Cambacicas, diminutos Piolhinhos, Andorinhas, Sanhaçús, Tico-ticos, Gaturamos, biquinhos-de-lacre, as coloridíssimas Saíras e, ó, CÉUS, tantas espécies, para citar apenas os passarinhos…

Tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis) Foto Carla Brum

Tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis)
Foto Carla Brum

Quando prestamos atenção aos sons, destacam-se os periquitos e maritacas. Sua vocalização estridente é notável em bandos alegres. Outro que denuncia sua posição com a voz é o Gavião-Carijó. Noite adentro, as vocalizações de corujas e bacuraus podem assustar os mais suscetíveis. E até os mais corajosos.

Tucan-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus) Alimentando o filhote

Tucan-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus)
Alimentando o filhote

Personagem famoso e belo dessas bandas, o tucano-de-bico-preto quase foi extinto no município. Sua reintrodução, realizada na década de 1970 mostrou-se extremamente bem sucedida. Hoje podemos ver seu voo improvável, carregando aquele majestoso bico, e ouvir sua vocalização recheada de ‘erres’ por toda a área.

Gavião-pombo-pequeno (Amadonastur lacernulatus_ foto: Gabriela Vivacqua (1)

Gavião-pombo-pequeno (Amadonastur lacernulatus_
foto: Gabriela Vivacqua (1)

Quem olha para o céu azul, pode ver em voo aves que quase nunca pousam: Fragatas cortam o céu da cidade toda, em direção ao mar. Já os urubus, esses injustiçados, dividem o céu com belos Carcarás. Em qualquer promontório pode estar um gavião ou um falcão, prontos para a caça.

Garça-branca-grande (Ardea alba)

Garça-branca-grande (Ardea alba)

A observação é um treino: Quanto mais olhamos e procuramos conhecer, mais conseguimos perceber, nomear e ouvir. Observar aves é um exercício prazeroso, um treino, um estudo alegre e um desafio sempre recompensado. Pica-paus, Arapaçús, sempre atrás dos macacos prego, garças elegantes, rolinhas das comuns e das selvagens, Almas-de-gato, silenciosas e discretas; beija-flores ocupadíssimos.

Monitoramento de predação de ninhos.

Monitoramento de predação de ninhos.

Na hora de construir um ninho, ocos de árvore não serão tão diferentes de frestas no telhado ou espaços na alvenaria e muitas espécies utilizam construções humanas para abrigo. A maioria das ‘assombrações’ pode ser uma ave ou um bicho, escondidos no forro… Um arbusto pode ser um mundo…

Projeto de monitoramento de predação de ninhos: instalação de câmera trap

Projeto de monitoramento de predação de ninhos: instalação de câmera trap

Sendo assim tão especialmente localizado, espremido entre a Mata e a crescente urbanização, os ninhos do JB sofrem pressão que pode vir tanto dos predadores selvagens quanto de animais domésticos como gatos ou mesmo animais que se favorecem da urbanização, como gambás, por exemplo, ou mesmo ratos. Isso significa que muitos ninhos são predados. Os animais selvagens, como os macacos-prego e os tucanos, levam a culpa muitas vezes. Saguis exóticos também.  Não tem como saber quem preda sem investigar e essa é pesquisa que, finalmente, iniciamos: o trabalho de monitoramento de predação de ninhos.

Monitoramento de predação de ninhos: Montagem dos equipamentos e ninhos

Monitoramento de predação de ninhos: Montagem dos equipamentos e ninhos

Encabeçado pelo voluntário André Borja Miranda, sob orientação do Prof. Henrique Rajão, da PUC-RJ estamos

Monitoramento de predação de ninhos: primeiros resultados.

Monitoramento de predação de ninhos: primeiros resultados.

instalando ninhos artificiais em locais específicos. Os ninhos artificiais são munidos com ovinhos de codorna e são monitorados por câmeras trap, equipamentos fotográficos sensíveis ao movimento, que ficam ligadas 24 horas por dia, flagrando a predação. A ideia é conhecer os verdadeiros comedores de ovinhos do JB. Por agora vamos acompanhar ninhos artificiais e, em uma 2ª fase, os naturais encontrados pelo Núcleo de Fauna.

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2 respostas para Monitoramento de Predação de ninhos.

  1. Valmor Isaurino Vidal disse:

    Parabéns.. Até que enfim um projeto com esse fim. Não vejo os órgãos ambientais preocupados com o extermínio da ave fauna da ilha de Santa Catarina (Florianópolis) por conta de uma praga chamada sagui. A cada ano é perceptível a redução de indivíduos de diversas espécies de aves em contraste com o aumento espantoso das famílias desses primatas exóticos…

    • gabiheli disse:

      Obrigada pelo apoio! Boa sorte aí e vamos trabalhando para aumentar o conhecimento na preservação da fauna! Quem sabe uma universidade da região se interesse por um projeto como esse!?

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