Capivara no JB

capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no Rio dos Macacos. Foto Alexandre Machado

capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no Rio dos Macacos.
Foto Alexandre Machado

E aí estou no transito, a caminho do trabalho, e ouço no rádio que uma capivara parou o trânsito (já catastrófico) da Jardim Botânico e da Pacheco Leão.

 

Meu pensamento foi: “Tomara que ninguém corra atrás dela!” Explico: capivaras são muito suscetíveis ao estresse físico, apresentam uma síndrome chamada Miopatia de Captura, que pode ser fatal.

capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no Rio dos Macacos.

capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no Rio dos Macacos.

Não dá pra perseguir uma capivara, faze-la correr demais, amarrar com corda e achar que tudo bem. Elas acabam ficando muito doentes dias depois e podem morrer em algumas semanas por isso. Sabe aquela dor que dá quando exageramos na malhação? É causada pelo ácido lático na musculatura. Ela tem isso, só que mega, e acabam com problemas relativos à necrose muscular e problemas renais.

capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no Rio dos Macacos. Foto Alexandre Machado

capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no Rio dos Macacos.
Foto Alexandre Machado

Então, corri eu. Já fui ligando pro pessoal… O Caco voou na bike dele rumo ao local provável. O Alexandre veio me buscar na sala com o carrinho elétrico, corremos pra ação. Quando chegamos os bombeiros já tinham partido e a capivara, sumido. Mas o Caco, na maior sorte, achou a danadinha. No rio dos Macacos, sob a ponte, junto à Região Amazônica, próxima da rua Pacheco Leão.

encurralando a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no Rio dos Macacos. Foto Alexandre Machado

encurralando a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no Rio dos Macacos.
Foto Alexandre Machado

 

É preciso lembrar que, apesar de comuns no dia a dia do RJ, as capivaras são consideradas ameaçadas no município. São animais quase sempre diurnos, mas algumas vezes andam a noite, o que pode causar acidentes, principalmente nas ruas e avenidas. São aquáticos e herbívoros, estando sempre próximos a cursos d’água. São relativamente comuns na Lagoa Rodrigo de Freitas, mas no JBRJ não.

e fomos conduzindo a capivara pelo  Rio dos Macacos, em direção a Lagoa. Foto Alexandre Machado

e fomos conduzindo a capivara pelo Rio dos Macacos, em direção a Lagoa.
Foto Alexandre Machado

O ideal era conduzir a bichinha, com cuidado, para a Lagoa. Foi essa a recomendação que recebemos dos bombeiros. Eu queria capturar e levar de carro, mas essa também era uma boa solução. Fomos, eu e Caco, dentro do Rio dos Macacos, conduzindo a bela em direção ao canal. Ela ia andando e olhando a gente. Teve uma hora que ela virou e me deu uma encarada, baixou a cabeça e vocalizou.

capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) caminhando no Rio dos Macacos. Foto Alexandre Machado

capivara (Hydrochoerus hydrochaeris)
caminhando no Rio dos Macacos.
Foto Alexandre Machado

Confesso, fiquei com um pouquinho de medo… Capivaras são os maiores roedores do mundo, com 1 a 1,30 m e até 50 ou 60 cm na altura da cernelha. Pesam entre 35 a, pasmem, 80 kg. São tranquilas e pacíficas, mas podem ser perigosas, se ameaçadas. Tem dentes enormes, são pesadas, ágeis e podem se virar e atacar.

capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no Rio dos Macacos.

capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no Rio dos Macacos.

 

 

São muito territorialistas e os machos alfa são bastante agressivos com os possíveis concorrentes. Vivem em grupos com grande harém e um macho alfa ciumento. As fêmeas podem ter até 2 ninhadas por ano, com sorte, e até 8 bebês, que mamam por 4 meses. Aos 18 meses, mais ou menos, são adultos, podendo viver até 9 anos em liberdade. Em cativeiro podem chegar aos 12.

depois que entrou nesse canal, ela saiu nadando em direção à Lagoa, mas as comportas mais a frente estavam fechadas.

depois que entrou nesse canal, ela saiu nadando em direção à Lagoa, mas as comportas mais a frente estavam fechadas.

São ótimas nadadoras e tem, inclusive, membranas interdigitais para ajudar. E a nossa visitante (to chamando de ela, mas não sei se era menino ou menina… era um (a) jovem), logo chegou ao canal. Na beirada da rua Jardim Botânico com a Pacheco, lá dentro do Rio, junto ao gradil do JBRJ, o rapaz do malabarismo e outras pessoas me contaram o que aconteceu mais cedo.

a fuga para a Lagoa foi frustrada pelas comportas fechadas. Nesse caso, uma rampa para travessia de fauna seria essencial.

a fuga para a Lagoa foi frustrada pelas comportas fechadas. Nesse caso, uma rampa para travessia de fauna seria essencial.

De manhã a bichinha pulou bem alí, onde eu estava, fugindo dos bombeiros. Quase 2,5 M de altura, dando um olé nos bombeiros. Ela entrou no canal em baixo da rua, rumo à Lagoa. O Caco seguiu por cima e, quando ela chegou à comporta, perto da estátua do Chacrinha, a passagem estava fechada. Corri pra lá. Ligamos para os Bombeiros novamente.

E com os Bombeiros. Ela entrou nesse canal aí em baixo e foi para o Jóquei.

E com os Bombeiros. Ela entrou nesse canal aí em baixo e foi para o Jóquei.

 

No fim das contas, sob nossos olhares e dos Bombeiros, ela nadou para dentro do Jockey, onde o funcionário falou que havia uma família. E sumiu em baixo d’água, despistando todo mundo.

Fico aqui, torcendo para que a correria matinal não tenha feito mal a ela. Que ela esteja bem e protegida. E agradeço, todos os dias, pelos animais fantásticos que passam pelo meu caminho.

 

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