Mãe caxinguelê

filhote de caxiinguelê (Guerlinguetus ingrami)

filhote de caxiinguelê (Guerlinguetus ingrami) – Foto: Alexandre Machado

Esse post foi feito com a ajuda da nossa Estagiária Mariana Vergueiro

E mais uma história com um dos bichos mais fofos do Jardim Botânico, o caxinguelê, com final feliz no ProFauna!!! (veja mais aqui, aqui e aqui)Um roedor bastante ágil e comumente visto no arboreto do Jardim, se alimenta de frutos e sementes dura. Eles constroem seus ninhos (sim, eles fazem ninhos, mais ou menos como os pássaros) no alto das árvores, para evitar predadores, mas nem sempre dá certo. E foi assim que começou a dramática história da mamãe caxinguelê e seus dois filhotes.

Mãe e filhote de caxiinguelê (Guerlinguetus ingrami)

Mãe e filhote de caxiinguelê (Guerlinguetus ingrami) Foto: Alexandre Machado

O ProFauna recebeu uma chamada sobre ataque de macaco-prego  a caxinguelês – sem julgar o prego! Ele também precisa se alimentar! – e que os macacos já tinham fugido e os filhotes de esquilo estavam no chão, sem saber o que fazer… Corremos ao local e avistamos o bebê esquilo no chão, ao lado do ninho, caído e destruído. A mamãe caxinguelê havia deixado um dos filhotes pra trás. Ele estava muito assustado: nessa idade eles são bobinhos e foi fácil resgatá-lo. A mãe estava alí perto, com outro filhote agarrado no pescoço. Quando ela nos viu pegando o filhotinho do chão, fugiu e tivemos que seguir atrás dela para entregar-lhe o outro bebê e não a perder de vista.

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Mãe e filhote de caxiinguelê (Guerlinguetus ingrami) – Foto: Alexandre Machado

Ela subiu numa árvore em outro canteiro. Ficamos observando ela escolher um local protegido na árvore e aconchegar o filhote que estava no pescoço. Com o puçá, esticamos o outro filhote e tentamos devolvê-lo, quase deu certo, mas ela se assustou com a aproximação de curiosos, pegou o filhote que estava com ela e fugiu para outra direção.

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filhote de caxiinguelê (Guerlinguetus ingrami) escondendo-se na árvore – Foto: Alexandre Machado

A perseguição recomeçou!

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Tentando devolver o filhote de caxiinguelê (Guerlinguetus ingrami) – Foto: Alexandre Machado

Pensamos então numa outra tática: pegar a mãe e o filhote e colocá-los junto com o outro bebê dentro da caixa para que ela os reconhecesse e pudesse levá-los juntos. Tentaríamos a soltura em outro momento, mais calmo, com toda a família reunida.

com a família toda no puçá

com a família toda no puçá – Foto: Alexandre Machado

Nos aproximamos da esquilinha e, num movimento rápido e certeiro (e sortudo), capturamos a mamãe e sua prole com o puçá. Só faltava agora colocar os três juntos na caixa e esperar que se acalmassem para voltar à natureza! Levantamos o puçá com cuidado para transferi-los pra caixa, quando um visitante se aproximou por curiosidade e, em um segundo de distração, ela se contorceu pelo aro do puçá e correu pra cima da árvore, nos deixando agora com DOIS filhotes.

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procurando a mamãe – Foto: Alexandre Machado

Ela fugiu para uma palmeira bem alta, pulando então para outra árvore e sumiu de vista.

Ficamos arrasadas! Martirizadas de culpa por ter separado o outro filhote dela! Ficamos procurando no alto da árvore, mas nenhum sinal dela.

Depois de longos minutos, eis que um caxinguelê muito apressado desceu exatamente da mesma árvore onde caíram os filhotes, fuçando as palhas do ninho. Era a mãe! Ela foi ágil o bastante para fazer o contorno pelo dossel descendo no ponto inicial da queda do ninho, nos enganando direitinho, kkk.

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mãe e filhote de caxiinguelê (Guerlinguetus ingrami) – Foto: Alexandre Machado

Com bastante calma para não assustá-la, colocamos a caixa de transporte aberta, com os filhotes, próxima ao ninho no chão.

Nos afastamos e fizemos um cordão de isolamento para que os visitantes que passavam não a assustassem.

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mãe e filhote de caxiinguelê (Guerlinguetus ingrami) – Foto: Alexandre Machado

Com bastante cautela, a mamãe caxinguelê desceu da árvore, examinou a caixa com calma, rodou, rodou, subiu, entrou, saiu, entrou novamente e saiu com um dos filhotes! Ela correu pra longe e sumiu numa jaqueira bem grande, até desaparecer com seu filho resgatado. Ficamos muito felizes, mas também apreensivas, afinal, faltava um filhote para resgatar. Quando ela voltou em direção à caixa, tudo era sinal de que ela vinha buscar o outro bebê. Foi bem precavida e demorou algum tempo para chegar perto da caixa, mas logo que entrou nela, saiu com o outro bebê e foi correndo em direção à árvore que agora será a sua nova casa!

filhote de caxiinguelê (Guerlinguetus ingrami)

filhote de caxiinguelê (Guerlinguetus ingrami) – Foto: Alexandre Machado

Ficamos super felizes e aliviadas com o resgate! São histórias assim que fazem a gente amar o que a gente faz!

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