Cachorro do Mato

Cerdocyon thous - Cachorro-do-mato - Foto João Marins - Parque Estadual do Desengano

Cerdocyon thous – Cachorro-do-mato – Foto João Marins – Parque Estadual do Desengano

Esse texto foi escrito para a Folha do Jardim, o jornal da Associação de Amigos do JB e aqui vai uma versão estendida.

As fotos (em vida livre) são do João Marins, que foi aluno da Cris Rangel no Núcleo de Fauna e hoje trabalha no Parque Estadual do Desengano. Nenhuma das fotos foi feita no JB, mas lá no Desengano. Ainda não temos um registro da nossa “matilha”, mas as câmeras estão apontadas… Infelizmente, ante que esse texto fosse publicado, resgatamos um jovem macho de cachorro do mato com suspeita de cinomose no Jardim Japonês. Esse jovem foi encaminhado ao Centro de Reabilitação de Animais Selvagens (CRAS) e aguardamos sua recuperação. O quadro é sério e ele corre riscos, mas estamos torcendo pela sua recuperação.

Nomes pelo mundo: inglês: Crab-eating-foxs / Spanish: Zorro-de-Monte / French: Renard Crabier

Cerdocyon thous - Cachorro-do-mato - Foto João Marins - Parque Estadual do Desengano

Cerdocyon thous – Cachorro-do-mato – Foto João Marins – Parque Estadual do Desengano

A ocorrência é bastante ampla, não sendo incomum pela América do Sul: Ocorre em todos os biomas do Brasil, exceto Amazônico (RO, AM e AC), tendo sido, porém, recentemente registrado no sul da Floresta amazônica, em áreas desmatadas. Distribuição do Uruguai ao norte da Argentina, Bolívia e Venezuela. Colômbia, Guianas e Suriname. Distribuem-se por diversos habitats, incluindo o cerrado, mangue, mata atlântica, florestas mais fechadas e mesmo bordas de mata. São tímidos, porém, evitando o contato direto com o homem.

Quem gosta de cachorro não vai resistir a essa gracinha que é nosso cachorro-do-mato (Cerdocyon thous). Do tamanho dum vira-latas desses comuns, parece uma raposinha.

Cerdocyon thous - Cachorro-do-mato - Foto João Marins - Parque Estadual do Desengano

Cerdocyon thous – Cachorro-do-mato – Foto João Marins – Parque Estadual do Desengano

Tem entre 60 a 70 cm de corpo + 24 a 41 cm de cauda, pesando de 4 a 10 kg.  O pelo é espesso, cinzento amarronzado, com dorso e as pernas mais escuros. No pescoço o pelo é amarelado. A cauda é portada baixa, apontando para trás e para o chão, bem peluda. São tímidos e difíceis de ver, mas algumas vezes “dão mole” no arboreto no princípio da noite ou na madrugada. As pegadas podem ser vistas, por olhos atentos, ocasionalmente no caminho da mata Atlântica, podendo ser confundidas com pegadas de cães domésticos. São monógamos, formando casais que tem 3 a 6 filhotes por temporada. Os filhotes ficam por perto até o 9º mês, mais ou menos, e migram para um território próximo depois dos 12 meses. Vivem 9 anos, em média.

Cerdocyon thous - Cachorro-do-mato - Foto João Marins - Parque Estadual do Desengano

Cerdocyon thous – Cachorro-do-mato – Foto João Marins – Parque Estadual do Desengano

Comem de tudo, mantendo uma dieta de invertebrados, inclusive crustáceos, vertebrados de diversos tipos entre mamíferos aves e anfíbios, sempre com massa inferior a sua. Come diversos frutos e é considerado dispersor de sementes.

A maior ameaça ao cachorro-do-mato, além da supressão de território e caça, é a presença de animais domésticos, como cães e gatos. Os cães e gatos competem por território e presas, cães atacam os cachorros-do-mato e ambos transmitem diversas doenças para eles, como cinomose,  parvovirose,  parasitoses e raiva. A presença de animais domésticos é extremamente prejudicial aos animais selvagens. Lugar de doméstico é em casa!

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Na Clinica de Reabilitação de Animais Selvagens (CRAS) foram recebidos diversos animais e a esmagadora maioria estava contaminada com Cinomose, vindo a óbito em decorrência da doença, que tem forma ainda mais agressiva com os cachorros-do-mato. A presença de cães e gatos domésticos nas áreas de mata, seja no RJ, seja em qualquer outro local, é fatal para a fauna residente. Os animais nativos não tem como competir com esses invasores (por mais que a gente AME os nossos bichos, a mata não é deles…). A contaminação e a competição são um veneno para a fauna nativa…

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10 respostas para Cachorro do Mato

  1. Silvia disse:

    Olá,
    Hoje (23/12), fazendo a minha caminhada diária no Jardim Botânico as 06:30hs, um cachorro do mato cruzou o meu caminho em louca disparada!
    Nunca tinha vista tal criaturinha! Gostei muito!
    Gostei muito desse site. Muito informativo. Me ajudou na identificação do bichinho.
    Silvia

    • gabiheli disse:

      Que legal!! Gostaria de saber em que ponto do Arboreto ele foi avistado e que direção tomou, para ajudar a entendermos os hábitos deles pelo JB. Tomara que você continue encontrando muitas criaturinhas tanto ao vivo quanto aqui no Blog!

      • Silvia disse:

        Olá,
        Hoje (29/12) na minha caminhada no JB, reconheci o local onde o cachorro do mato passou na minha frente em louca disparada no dia 23.
        O local é nas proximidades do Jardim Bíblico, e ele veio da direção da Rua Jardim Botânico para a Rua Pacheco Leão.
        Um abraço.
        Silvia

      • gabiheli disse:

        vamos ficar de olho! obrigada!

  2. Uma vez, há uns 5 anos, no Parque Laje, eu saía de uma vernissage quando me deparo com um cachorro do mato que, lépido e fagueiro, chavurdava por algo no muro que o separava do ponto de ônibus, logo ali, do outro lado. O guarda que assistiu comigo comentou: “Quando aparece as raposas então é uma briga feia entre els!”

  3. Bia disse:

    Temos famílias de cachorro do mato mirando dentro do nosso condomínio. Procriam aqui e tem uns convivência muito tranquila com os moradores. Eles já estão familiarizados com os moradores . Cachorris aqui. O condomínio só nos canis ou na coleira. Os Cachorros do Mato tem prioridade. Vc acha que devo me preocupar com alguma coisa?
    ABS
    Bia

    • gabiheli disse:

      Cara Bia.
      Na verdade há poucos riscos para animais domésticos, que estão sempre monitorados pelos donos.
      A maior preocupação aqui é a troca de patógenos entre as espécies. Mantenha seus cães longe do contato com os cachorros-do-mato, que são muito sensíveis a doenças como cinomose, parvovirose, etc. Pulgas e carrapatos devem ser controlados nos domésticos, pois são vetores de doenças nas 2 vias.
      Não ofereça e não deixe que ofereçam comida aos animais selvagens.
      No mais, mantenha as vacinas sempre em dia, visite o veterinário regularmente e aproveite para observar os Cachorros-do-mato, é uma oportunidade que poucos tem.

  4. Helio disse:

    Moro na cidade de Bragança paulista e trabalho em um condomínio, de três semanas pra cá tenho visto um casal de cachorro do mato andando todas as noites no condomínio, gostaria de saber quem os protege para me orientar.

    • gabiheli disse:

      Em cada local existe um responsável para a fauna selvagem. Acredito que o senhor possa encontrar essa informação junto à prefeitura ou ao IBAMA na sua cidade. Muitas vezes a Policia Ambiental será responsável por esse trabalho.
      De qualquer forma, mantenha a distância dos animais, cuidado com os carros, para evitar atropelamentos, e nunca ofereça alimentos, impedindo o acesso à lixeiras. Cuidados com animais domésticos também são necessários, já que podem transmitir doenças para os selvagens. Pratos de comida dos animais domésticos devem ser retirados durante a noite para não atrair os selvagens.
      Boa sorte e bons avistamentos!

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