Lago das “tartarugas”

Esse Post foi escrito com a PROVIDENCIAL participação da Mariana Vergueiro.

Núcleo de Fauna JBRJDá um search em Jardim Botânico do Rio de Janeiro… chances are: você vai encontrar um monte de fotos dos cágados do JB… Antes de entrarmos no arboreto propriamente dito do Jardim Botânico, podemos parar para apreciar o Lago das Tartarugas, com quase quarenta animais.

Foto: Gabriela Vivacqua

Foto: Gabriela Vivacqua

Primeiramente: eles não são tartarugas! São cágados! A diferença, basicamente, é que os cágados são de água doce e as tartarugas são de água salgada e os jabutis são terrestres. Ou seja, os jabutis afundam se colocados na água! Podem até andar no fundo de um lago e tal, mas precisam de uma rampa pra saírem ou morrem afogados em pouco tempo. Os 3 tipos fazem parte da mesma família, a qual chamamos de “quelônios”.  Lembrando que esses nomes são populares e as definições podem mudar, dependendo do país ou região.

Manejo

Manejo

Em 2014 o Núcleo de Fauna começou o Projeto Casco Firme, identificando, sexando e contabilizando todos os animais adultos do laguinho. Ano passado realizamos a marcação individual por microchipe de todos os cágados do Lago, a fim de fazer acompanhamentos periódicos da saúde e controle desses quelônios. No nosso laguinho temos apenas animais alóctones (Trachemys sp. e 1 indivíduo de Pseudemys concina). Isso significa que não são nativos. Alguns são dos EUA (Trachemys scripta), alguns do sul do Brasil (Trachemys dorbigni) e a maioria é uma mistura disso, ficando sem habitat apropriado…

IMG_2862Os híbridos são filhotes de pais de espécies diferentes, portanto, são uma espécie que “não existe”. Este é um baita problema pra nossa fauna nativa! Esses animais não podem ser soltos na natureza, pois não são nativos e impactam no equilíbrio ambiental e ameaçam a vida dos nossos animais nativos.

 

ao fundo: Trachemys sp. em primeiro plano: Pseudemys concina

ao fundo: Trachemys sp.
em primeiro plano: Pseudemys concina

Acontece que esses cágados foram, ao longo de muito tempo, lá pelas décadas de 70, 80 e 90, abandonados no JB por pessoas que desistiram de cria-los. Em dado momento, preocupado com o potencial invasor, o JB alojou esses animais no Lago das tartarugas. E alguns ex-proprietários não sabiam bem como cuidar dos animais, então, antes do abandono, foram alimentados só com folhas, sem proteína na dieta, ficando com defeitos de calcificação no casco. Podem viver muito tempo, mas precisam de saúde para isso… Aqui no JB são alimentadas com ração.

filhotes recém nascidos

filhotes recém nascidos

EM TEMPO: ABANDONO DE ANIMAIS É CRIME!! O JBRJ não aceita doações de animais e não doa filhotes de animais selvagens. Mas quem quiser colaborar com doações de ração e / ou material, pode procurar a Associação de Amigos do JB que eles são nossos parceiros

microchipado

microchipado

 

Todos os cágados do lago das tartarugas foram marcados, pesado, medidos, registrados e microchipados pelo Núcleo de Fauna, totalizando 35 animais. Temos mais fêmeas que machos, mas alguns animais, por conta de má nutrição do passado, ficaram difíceis de identificar o sexo…

problemas de calcificação no casco

problemas de calcificação no casco

No nosso caso, os cágados do Lago não oferecem risco algum à fauna local, pois estão em cativeiro controlado, sendo monitorados diariamente. Porém, quando chega o verão, começam a nascer filhotes. Infelizmente, por tratar-se de animal exótico invasor, os filhotes são encaminhados para o Centro de Triagem do IBAMA, não podendo ser soltos na natureza nem permanecer no lago, pois os adultos predam filhotes e o lago está superlotado…

Ração doada pela Associação de Amigos!

Ração doada pela Associação de Amigos!

De qualquer forma, são uma linda atração para quem chega. Pedimos, encarecidamente, que não ofereçam alimentos, nem mesmo as graminhas arrancadas, que são prejudiciais para eles. E que não ponham a mão na água, pois além do risco de mordidas, a água pode conter salmonela.

E lembramos: O abandono de animais é crime, assim como a introdução de animais exóticos na natureza.

Zilhares de filhotes!! Seu destino final é o Centro de Triagem do IBAMA

Zilhares de filhotes!!
Seu destino final é o Centro de Triagem do IBAMA

Nosso objetivo final é a esterilização dos animais do laguinho, o que trará um enorme ganho de qualidade de vida para eles e de segurança para nosso meio ambiente. Para isso teremos o apoio do CRAS e do Dr. Jeferson.

 

 

 

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