Estudo da Predação de Ninhos de Aves no Jardim Botânico do Rio de Janeiro

monitoramento de ninhos

Prof. Henrique Rajão e André, no trabalho de monitoramento de ninhos

Esse post foi escrito pelo voluntário André Borja Miranda, falando do estudo que ele, sob orientação do prof. Henrique Rajão, desenvolve no JBRJ.

Com a expansão urbana, passou-se a se observar uma alteração nos biomas adjacentes, com redução de habitat para a fauna nativa e introdução de animais exóticos e domésticos. Com isso, novos tipos de interações naturais começaram a ocorrer, como predação de silvestres por animais domésticos, disponibilidade de alimentos oferecidos por pessoas e competição com fauna exótica. Essas novas dinâmicas entre animais, plantas e o homem, que ocorrem nos centros urbanos, eventualmente vieram a gerar uma nova área de estudo dentro das ciências naturais, e recebeu o nome de Ecologia Urbana.

Dezembro 2015 - André Miranda - Seminário Fauna

Dezembro 2015 – André Miranda – Seminário Fauna

A Ecologia Urbana é uma disciplina recente, surgindo no final da década de 70 e ganhando força apenas no século XXI (apenas 25 estudos publicados dentre mais de 6 mil entre 1993 e 1997 tiveram esse foco). Nas regiões neotropicais, as quais o Brasil faz parte, esses estudos são incipientes, especialmente em se tratando da predação de ninhos de aves. Com a introdução de predadores exóticos e domésticos, o aumento da população de animais generalistas (aqueles pouco exigentes com sua dieta, como o gambá e o macaco-prego) por causa do lixo, e o aumento de áreas abertas que tornam os ninhos mais visíveis, as aves passaram a ter seus ovos e filhotes mais predados ficando evidente em diversos estudos feitos ao redor do mundo.

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Monitoramento de predação de ninhos.

Com o intuito de iniciar estudos voltados para a Ecologia Urbana, especificamente relacionados as aves no Rio de Janeiro, buscou-se um método adequado e confiável de analisar a dinâmica da predação de ninhos dentro do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). Contanto com apoio da instituição através do setor de fauna (Projeto Fauna), que forneceram grande parte do material e segurança para a pesquisa, foi escolhido o método de acompanhamento utilizando-se armadilhas fotográficas (câmeras com sensor de movimento). Esse método já foi utilizado em estudos similares anteriormente e com excelentes resultados, pois fornece a identificação dos predadores.

Esse método foi aliado a ninhos artificiais para um melhor controle de variáveis, como altura dos ninhos e tempo de exposição dos mesmos, além de uma rotação do local, alternando entre Mata Atlântica; borda da mata, sendo essa a região fronteiriça entre floresta e arboreto; e o arboreto em si, para realizar uma comparação entre os locais.

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Projeto de monitoramento de predação de ninhos: instalação de câmera trap

O estudo ainda está em andamento, mas os resultados preliminares não são animadores para as aves: em quase 1 ano de acompanhamento e mais de 200 ovos usados como isca, apenas 9% destes foram tidos como sucesso (o filhote teria saído do ninho). Aproximadamente um terço das predações ocorrem dentro das primeiras 24h da “postura” do ovo, chegando a quase dois terços ao se analisar as primeiras 48h. Quanto aos agentes predadores, alguns dados interessantes foram obtidos: a maior parte das predações for feita por macacos-prego com 31 casos de 108, porém esse não foi registrado no arboreto. O gambá fica em segundo lugar com 10 casos, sendo o único predador noturno registrado. Já o sagui, que era considerado uma grande praga para as aves, teve apenas 4 registros de predação em todo esse tempo.

Esse resultados já indicam um ambiente em desequilíbrio dentro do JBRJ, a exemplo do Rio de Janeiro,

junho 2015 - André Borja, Mari Vergueiro e Catarina Souza com a câmera trap.

junho 2015 – André Borja, Mari Vergueiro e Catarina Souza com a câmera trap.

mostrando que a chance de sobrevivência das aves não é alta, o que pode levar a um decréscimo em sua população ao longo dos anos, mas novos estudos mais aprofundados e com novas perguntas devem ser feitos antes de se poder afirmar o caminho que estamos seguindo.

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Uma resposta para Estudo da Predação de Ninhos de Aves no Jardim Botânico do Rio de Janeiro

  1. Interessante o dado preliminar sobre os saguis… Parabéns pelo trabalho !

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