Cocô é ouro…

Mr. Big. O macaco prego

Mr. Big. O macaco prego

Sabe como é, né… biólogos, veterinários de selvagens e essa galera de mato… Bom, provavelmente, se você não trabalha com isso ou não tem um amigo ou conhecido (bem próximo) que trabalhe, você não sabe…

Enfim… Essa galera (nós) é meio maluca (com bons motivos!). Esse post é pra contar um pouco da nossa maluquice: pra biólogo, cocô é ouro… Nas fezes dos animais, encontramos um montão de informações. Dá para ver informações hormonais, a dieta, a saúde, parasitos, um montão de informações que estão ali, disponíveis para nossas pesquisas. Basta coletar e analisar. E manter o estômago no lugar…

captura de sagui

captura de sagui

Temos trabalhos em andamento com as fezes, principalmente dos primatas. Estamos realizando um levantamento parasitológico contínuo dos saguis e pregos além de um estudo de zoocoria, que é a dispersão das sementes ingeridas pelas fezes. Para isso, as fezes dão coletadas no campo, sempre com muito cuidado para evitar contaminação, separadas em parcelas para cada estudo e então analisadas.

Pregos se alimentando naturalmente

Pregos se alimentando naturalmente. Diversas relações familiares e hierarquicas se reforçam e se estabelecem nesse processo.

Geralmente os saguis deixam suas amostras nas plataformas de habituação do projeto de monitoramento de primatas. Algumas vezes fazemos uma captura só para coleta de fezes, o que facilita muito o trabalho. Os pregos são mais difíceis e é preciso segui-los pelo JB, frasquinhos em punho, para a coleta assim que a amostra é “disponibilizada” pelo animal…

(Callithrix spp.) invadindo a lixeira

(Callithrix spp.) invadindo a lixeira

Para o estudo de parasitos, as coletas são triadas segundo técnicas específicas, separando-se os ovos e larvas e com análise microscópica. A população de primatas do JBRJ se mostra bastante saudável, com infestações esperadas e pouco preocupantes, mas compartilha conosco alguns parasitas, como a giárdia. O contato com o homem pode ser uma forma deles se contaminarem, buscando nossos alimentos, fuçando nossos lixos, bebendo água suja ou comendo restos de comidas de cães e gatos. No fim das contas, o risco que eles correm de contaminação é muito maior que o nosso, já que nós costumamos ter hábitos de higiene que eles não têm e a busca por alimentos antrópicos (“antrópicos”= alimentos que nós comemos-fabricamos-produzimos-disponibilizamos) acontece mesmo nas lixeiras.

IMG_0933.JPGO estudo de sementes é outro lance… Estamos trabalhando em parceria com o Laboratório de Sementes do JBRJ, então as amostras, depois de triadas, são levadas para germinação e identificação lá. A Prof. Dra. Tania Sampaio encabeça a pesquisa, orientando a parte botânica.

As amostras precisam ser filtradas e separadas, e a parte mais “granulosa” (!!??) é triada na lupa, onde separamos as sementes. Essas sementes são levadas para o Laboratório de semente e colocadas em recipientes especiais, dentro das estufas próprias para germinação. Depois, verificamos a viabilidade das sementes e tentamos identificar a planta. Nem sempre dá e é um trabalho minucioso, mas importantíssimo.

IMG_1807.JPGCom a análise das fezes podemos ter muitas respostas, como o estado de saúde da nossa população de macacos e o impacto da sua alimentação na natureza. Por exemplo, se algum parasito preocupante está afetando a população, se um macaco começa a dispersar plantas exóticas na mata atlântica, se ele tem preferências por alguma fruta… Essas análises ajudam muito tanto na verificação individual da saúde quanto na percepção da saúde do meio ambiente. E por isso, pra biólogos e veterinários de selvagens, cocô é ouro…

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