Porque não soltar animais na natureza

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Saguis são animais exóticos (alóctones) para o Rio de Janeiro. Isso significa que a espécie não pertence ao nosso estado, tendo sido introduzido aqui (nesse caso, pelo homem e o tráfico). Sua capacidade de adaptação e reprodução criaram uma espécie invasora, o que significa que suas populações são crescentes e prejudicam a fauna e flora nativas. Existe ainda o problema da hibridação, já que diferentes espécies podem cruzar e ter filhotes férteis, incluindo a população nativa de Callithrix aurita, ameaçada. Isso acarreta na diminuição da biodiversidade e empobrecimento do meio ambiente natural.

Alguns incautos compram (ou ganham, ou herdam, ou adotam ou sei lá…) animais (nesse caso, animais silvestres) e, depois de algum tempo, por motivo incerto, soltam no JB (ou em outro lugar qualquer…), crentes que estão fazendo uma caridade à natureza, libertando um animal oprimido e tal. Muitas pessoas agem como se dessem àquele animal uma “2a chance”. Não é o caso. Dificilmente é. Soltar um animal sem origem comprovada, sem acompanhamento veterinário e sem a licença para tal é o que pode haver de mais prejudicial (depois do desmatamento) para um ecossistema. Já falamos a beça sobre isso, (veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui , aqui) mas muita gente ainda não compreende e teima em fazer essa “pequena bondade”.

Mais uma vez: é ruim para o meio ambiente porque o animal em questão pode:

todas as "tartaruguinhas" do Lago das Tartarugas foram, em algum momento, abandonadas no interior do Arboreto. Hoje estão contidas no laguinho para que não possam competir com a fauna nativa nem se espalhar ainda mais pelo ambiente. A maioria delas é originaria dos EUA, algumas são originarias do RS e na maior parte dos casos, existe suspeita de hibridação entre as espécies brasileira e americana... Isso, infelizmente, significa que não podemos retorna-las para a natureza...

todas as “tartaruguinhas” do Lago das Tartarugas foram, em algum momento, abandonadas no interior do Arboreto. Hoje estão contidas no laguinho para que não possam competir com a fauna nativa nem se espalhar ainda mais pelo ambiente. A maioria delas é originaria dos EUA, algumas são originarias do RS e na maior parte dos casos, existe suspeita de hibridação entre as espécies brasileira e americana… Isso, infelizmente, significa que não podemos retorna-las para a natureza…

a) introduzir doença na população local;

b) competir predatoriamente com animais nativos;

c) hibridar com animais nativos, reduzindo a biodiversidade;

d) não adaptar-se ou não estar preparado para a reintrodução, vindo a óbito com grande sofrimento;

e) contaminar-se com doença comum aos nativos, mas para a qual ele não tem defesas, morrendo com grande sofrimento e com risco de mutação viral contaminante para outros (inclusive nós);

f) todas as anteriores, juntas, separadas, somadas e multiplicadas, e ainda outras que eu provavelmente esqueci ou nunca soube e que em alguns anos vão nos pegar pelo pé…

Até chinchilas já foram encontradas no JBRJ. Esses animais sofrem terrivelmente os efeitos do calor, não são adaptados para climas úmidos e são suscetíveis a doenças comuns da fauna selvagem nativa. Além disso podem transportar patógenos exóticos que são potencialmente perigosos para a fauna nativa. Abandonar um animal como esse é cruel com o animal e com a natureza.

Até chinchilas já foram encontradas no JBRJ. Esses animais sofrem terrivelmente os efeitos do calor, não são adaptados para climas úmidos e são suscetíveis a doenças comuns da fauna selvagem nativa. Além disso podem transportar patógenos exóticos que são potencialmente perigosos para a fauna nativa. Abandonar um animal como esse é cruel com o animal e com a natureza.

No JBRJ o Núcleo de Fauna trabalha apenas com os animais residentes (preferencialmente os silvestres e nativos).

São resgatados no Arboreto ou na nossa mata, tratados ou cuidados por nós e os veterinários parceiros, quando necessário; manejados e transportados, quando preciso, e devolvidos ao seu ambiente de origem. Esses animais, por serem residentes e nativos do local, tem a biologia, fenologia, comportamentos e sistema imunológico adaptados para a localidade.

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Já encontramos até iguanas no JBRJ… Esses animais não ocorrem naturalmente no Rio de Janeiro sendo, porém, cada dia mais comuns como “pet”. Ao se deparar com as dificuldades de manutenção de um animal como esses, o proprietário resolve “devolvê-lo” à natureza, achando que o JBRJ é um lindo lugar para isso… Não é…

Quando temos que resgatar um animal exótico, como um pombo, gato ou cão, por exemplo, ele é, necessariamente, retirado do campo. A exceção acontece com saguis: quando o manejo é parte das pesquisas com reprodução, saúde comportamento, esses animais são marcados e devolvidos para o campo. Quando, porém, é realizado o resgate de um animal doente ou, por exemplo, um filhote órfão, são encaminhados para o CRAS (doentes) ou CETAS (saudáveis). Já vimos porque a presença do sagui é tão prejudicial para o ambiente (aqui, aqui).

Em alguns casos excepcionais recebemos para soltura animais encaminhados pelo IBAMA. Isso segue muitas regras atendendo as necessidades do animal e do ambiente. São animais oriundos de resgates na região adjacente ao JB,  estão em perfeitas condições de saúde, receberam a avaliação de um veterinário especializado e, impreterivelmente, tem a licença expedida pelo IBAMA.

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Periquitos australianos e calopsitas que fogem terminam morrendo de fome por não saberem como se alimentar sozinhos. Algumas pessoas acham que, ao soltar passarinhos “de gaiola”, estão fazendo uma coisa muito boa, mas esses animais sofrem muito e acabam morrendo de inanição ou hipotermia. Cães e gatos também representam grande risco ao serem soltos em áreas naturais (e mesmo em qualquer área!!!) pois são predadores eficientes da fauna nativa. Todos esses animais (o galo da foto também) podem, potencialmente, portar patógenos fatais para a fauna nativa.

Soltar animais sem licença é crime ambiental…

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filhotes de cágados exóticos encaminhados ao CETAS do IBAMA em 2015. Esses animais, exóticos para o Rio de Janeiro (as espécies encontradas no Lago das Tartarugas são do RS e dos EUA, mas a maioria é de híbridos entre as espécies) representam grande perigo à fauna nativa por seu enorme potencial invasor.

O CRAS funciona da mesma forma, nunca recebendo animais alóctones ou domésticos nem animais de apreensão. Animais apreendidos dificilmente tem registros confiáveis de origem, podendo ser oriundos de qualquer localidade de sua ocorrência. Além disso podem ter entrado em contato com outros animais de diferentes localidades e participado da troca de patógenos exóticos para nossa área. Nesses casos a avaliação do animal sempre será mais extensa e a soltura dependerá de pesquisas genéticas e exames para doenças, além de uma quarentena bem feita. Os animais tratados pelo CRAS, portanto, são todos ‘cariocas’, assim como os animais que passam pelo Núcleo de Fauna do JBRJ são sempre locais.

 

Em resumo: NÃO PRENDA, MAS TAMBÉM NÃO SOLTE! Procure os órgãos competentes para isso. A natureza agradece!!

Contatos importantes:

Resgate de Fauna da Prefeitura: telefone 1746 (eu prefiro usar o aplicativo, no celular) – A Patrulha ambiental realiza o serviço de resgates.

CRAS: Estrada da Boca do Mato, 850 – Vargem Pequena – Diariamente das 8:00 às 16:00 (funciona no fim de semana)

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