Sobre as mortes de saguis em alguns bairros do Rio de Janeiro

Saguis mortos na Gávea

Saguis mortos na Gávea dia 1/08/16. (Foto divulgada na internet)

Estamos recebendo notícias sobre saguis mortos em alguns bairros cariocas como Gávea, Laranjeiras, Tijuca, e Barra da Tijuca. Algumas pessoas falam sobre possíveis envenenamentos.

Tantos casos assim, em diversas localidades e em um intervalo de tempo curto, sugerem também a possibilidade  de doenças infectocontagiosas. Pode inclusive haver uma combinação de fatores.

Uma veterinária chegou a dar um laudo de envenenamento, (veja aqui) baseado nos sintomas dos animais e no relatos das pessoas que os resgataram. Não foi feita necrópsia, que é fundamental para a confirmação do envenenamento e para afastar outras possibilidades, que podem agir isoladas ou em conjunto. Os animais foram cremados após, não sendo possível resgatar essas informações tão importantes.

Sem a necrópsia não podemos afirmar nada sobre a morte deles com precisão. Acontece que os sintomas de envenenamento (quadro convulsivo) são muito semelhantes aos de diversas doenças virais, inclusive a herpes. A herpes pode ser apenas um incômodo para humanos, e muitas pessoas são portadoras assintomáticas (carregam o vírus mas não apresentam lesões típicas na boca). Mas ela é fatal para os saguis e outros primatas, causando uma morte rápida, além de ser altamente contagiosa entre eles. Apesar de o caso relatado ter características que indicam a possibilidade do envenenamento, é preciso considerar, para a segurança da população e dos animais, outras possibilidades tão importantes.

Portanto, qualquer que seja o caso, aí vão as orientações:

  1. Ao encontrar saguis ou outros animais silvestres mortos ou doentes não toque neles. Caso seja necessário pegá-los, faça com proteção (luvas de látex). Não os resgate sem usar luvas.
  2. Ligue (ou use o aplicativo, funciona melhor) para 1746 da Prefeitura e solicite resgate de animais selvagens da Patrulha Ambiental. Eles vão recolher os animais e levar a um veterinário especializado em animais silvestres que está acompanhando o caso.
  3. Se quiser, e for possível, pode colocar o(s) animal(is) em uma caixa até aguardar o resgate pela Patrulha Ambiental. Mas sempre usando luvas de proteção.
  4. Evite levar para veterinários não especialistas em animais silvestres, assim você não expõe animais domésticos a possíveis doenças silvestres. Se levar, peça para eles entrarem em contato com o CRAS (Clínica de Reabilitação de Animais Silvestres, tel: (21) 2430-4832 ou 99695-9907 dr. Jeferson Pires) em Vargem Pequena para orientação.
  5. Não descarte ou jogue fora os saguis mortos. É muito importante que esses animais sejam resgatados pela Patrulha Ambiental e cheguem ao CRAS para que a necrópsia seja realizada.
  6. Descarte as luvas utilizadas no contato com o animal e lave bem as mão com água e sabão, e álcool depois.
  7. Não deixe crianças e outros animais se aproximarem dos saguis mortos/doentes.
  8. Caso queira levar o animal ao CRAS, observando todas as práticas de proteção,  acomode-o em uma caixa segura para evitar fugas, e dirija-se a Estrada da Boca do Mato, 850, Vargem Pequena.

Abaixo orientações para serem tomadas SEMPRE, independente de haver animais doentes ou mortos, e até para evitar que surtos de mortes de animais ocorram:

9. Não alimente animais silvestres, nunca, de nenhuma forma, e com nenhum tipo de alimento. Não coloque comedouros na janela de casa, nas árvores, em lugar nenhum. Através do nosso alimento, transmitimos doenças aos animais. A herpes chega aos macacos através de alimentos que foram partidos com os dentes ou com mãos que encostaram na boca antes de manipular o alimento.

10. Evite colocar comedouros para cães e gatos na rua ou em locais desprotegidos, pois animais silvestres podem visitar esses comedouros, e assim compartilhar doenças entre eles.

11. Não se aproxime demais de animais silvestres. Seu comportamento é imprevisível. Eles podem se assustar ou ficar com medo (afinal somos animais bem maiores que eles, e eles nos vêem como possíveis predadores) e morder ou arranhar para se defender. Nesse caso, procure um hospital ou posto de saúde e avise sobre o contato com animais silvestres para receber os soros/vacinas específicos.

Quem ama os animais os observa de longe, sem querer tocar, não oferece comida e não os perturba. Colabore.

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Sobre Cris

Carioca, flamenguista, bióloga, primatóloga, viajante, casada. Metida a fotógrafa.
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