Sobre as mortes de primatas no Rio de Janeiro – parte II

Essa semana (entre 10 e 12/10/2016), tivemos alguns casos de morte de primatas no município do Rio, concentrados na Zona Sul da cidade. Assim como no evento de agosto, muitas pessoas pensaram se tratar de envenenamento. Mas, novamente, as características sugerem ser uma doença infecto contagiosa: são muitos casos em localidades diferentes, o intervalo de tempo, ainda que curto, é inconsistente com envenenamento, assim como o quadro observado nas necrópsias.

roupa para necropsia

Cristiane Rangel com roupa de proteção necessária ao se lidar com uma possível doença infectocontagiosa

O Núcleo de Fauna possui uma primatóloga na equipe, a Cris Rangel. Por isso, passamos a tomar parte no grupo de profissionais que está investigando o problema, realizando resgates nas imediações do JBRJ e seu encaminhamento  para o CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Selvagens), participando das necrópsias e do envio das amostras para a Fiocruz.

O encaminhamento ao CRAS de animais em situação de risco é padrão para o Núcleo de Fauna, seguindo recomendações do IBAMA, do INEA e da Patrulha Ambiental (Prefeitura). Nesse caso, o encaminhamento de TODOS os animais afetados para o mesmo local serve ao propósito investigativo, concentrando as informações e peças em um local apropriado e com condições de internação, exames, necrópsia e coleta e distribuição de amostras. Quanto mais informações forem colhidas, melhor: a localidade, situação, nome da pessoa que encontrou, etc.

Muitas matérias sobre o assunto saíram nos jornais (aqui, aqui, aqui …). Mas, até o momento, somente existem suspeitas diversas, nenhum diagnóstico fechado e afirmar que é uma doença ou outra é precipitado. Com relação às notícias veiculadas, devemos levar em consideração que jornalistas, algumas vezes, podem ser muito alarmistas ou exagerados.

Foram 15 animais em 3 dias, entre saguis e macacos-prego, mas há 2 dias não aparecem mais animais mortos ou doentes, o que é ótimo. Enquanto aguardamos os resultados dos exames, vale as regras gerais sobre contato com animais silvestres em qualquer ocasião (muitas já comentamos antes no post de agosto):

  1. Não alimente. Nunca. Com nada. Eles sabem se virar e buscar alimento natural nas áreas arborizadas. Sua “ajuda” ao alimentar mais atrapalha do que beneficia a eles.
  2. Não se aproxime demais. Não toque. Eles não são pets, não são treinados, não são domesticados. Sim, podem morder. Sim, podem arranhar. E sim, o contato pode transmitir doenças. Deles para nós, E, principalmente, de nós para eles.
  3. Se eles entram na sua casa, coloque telas nas janelas. Não é interessante essa visita, para ambos. Lembre-se, o local onde você mora hoje, assim como toda a sua vizinhança, costumava ser a casa deles e de outros animais.
  4. Caso encontre primatas mortos ou doentes, não toque neles. Isole a área e chame a Patrulha Ambiental através do telefone 1746. Não jogue os animais mortos no lixo, pois podemos perder informações muito importantes. Ligue 1746.
  5. Não há motivo para pânico. Não precisa evitar áreas arborizadas com primatas. Basta não entrar em contato direto com eles. PODE CONTINUAR VISITANDO O JARDIM BOTÂNICO, Parque Lage ou imediações.
  6. Nunca os maltrate. Macacos-prego são os únicos primatas nativos sobreviventes à expansão da cidade nessa região. São nativos, não estão em “super população”, pelo contrário, estão quase ameaçados de extinção.
  7. Em relação ao JBRJ: Não consuma alimentos ou bebidas (água pode a vontade!!) no Arboreto. Os animais são atraídos pelo cheiro da nossa comida e podem se aproximar demais.

siss-geoQuer ajudar?

Se você encontrar um animal silvestre morto ou doente, comunique ao Centro de Informação e Saúde Silvestre e ajude a monitorar nossa fauna. Para isso, baixe o aplicativo SISS_Geo que foi criado para gerar registros, modelos de alerta de ocorrências de agravos na fauna silvestre, especialmente os com potencial de acometimento humano e modelos de previsão de oportunidades ecológicas para emergência de doenças. Tudo a partir dos usuários! Você pode baixa-lo pelo Google Play ou entrar no site para maiores informações.

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Sobre Cris

Carioca, flamenguista, bióloga, primatóloga, viajante, casada. Metida a fotógrafa.
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