Retorno

Um dos gambás reabilitados e soltos no JBRJ

Ano passado,  final de setembro, resgatamos uma ninhada de gambás. A mãe, morta, foi encontrada pelo José Raimundo, vulgo Mineirinho, encarregado de jardinagem. Os filhotes, 7, ainda estavam no marsúpio. Mínimos, quase sem pelos…

Impossível saber a causa da morte dela. Agora era salvar os bebês. Quando se trata de filhotes são necessários cuidados intensivos, alimentação especial de 2 em 2 horas, calor, massagem pra cólica, remédios… Intenso meeeesmo. Até porque são animais noturnos e precisam de cuidados a noite.

A ninhada órfã, resgatada pelo José Raimundo, o Mineirinho.

Filhotes de gambá nunca podem tomar leite pois causa diversos problemas deixando sequelas e podendo matar. No Núcleo de Fauna usamos formula infantil de soja… é caro, mas vale o esforço. As primeiras 12 horas, é soro caseiro ou similar, gradativamente enriquecendo com fórmula e, dependendo do tamanho dos bebês, papa de fruta. Precisam de remédios para gases, calor controlado, massagem com algodão molhado morninho para ajudar a defecar e urinar… Fazemos até escolinha de escalada.

Um de nossos voluntários, o Bruno, cuidou da ninhada, fazendo os cuidados parentais. A esposa ajudou, porque é um trabalho insano e constante. Muito, muito, muuuuito trabalho e dedicação depois, em Dezembro, a ninhada estava pronta para soltar.  Devidamente microchipados, foram soltos, pela equipe logo depois, ali perto do cactário, na trilha da mata atlântica.

Soltar um filhote resgatado naquelas condições, depois de tanto cuidado, é emocionante. É muito legal pensar na vida dele recomeçando naquele momento, para sempre ligada à nossa. E que o trabalho foi realizado da melhor forma. (Soltar animais, é bom lembrar, precisa de uma autorização especial dos órgãos e conhecimento de causa! )Mas sempre dá aquele aperto no coração, um medo de que essa vida seja tomada abruptamente lá, no mundo real, na natureza cruel. Afinal, como “mãe”, a natureza é bem Joan Crawford…

Gambás são uma das espécies mais resgatadas no Rio de Janeiro, tanto no JB quanto no Centro de Recuperação de Animais Selvagens, que chega a receber mais de 300 por ano, através da Patrulha Ambiental, Bombeiros e pessoas comuns. No JB, só em 2016, foram 39 gambás manejados pelo Núcleo de Fauna. Não é uma surpresa quando aparecem, assim como não foi nenhuma surpresa quando chegou aqui, pelas mãos de um funcionário da EMBRAPA, uma gambazinha presa em uma lixeira. Veio com lixeira e tudo. Algumas vezes eles entram no lixo, atraídos pelo cheiro, e não conseguem sair. Pra evitar isso, recomendamos o uso de um galho ou cabo de vassoura dentro da lixeira, pra que ele escale e fuja. Mas a questão é que essa gambazinha estava com uma ninhada de 7! E tinha ficado presa um tempo, por causa do fim de semana. Estava assustada, estressada, um pouco desidratada e magrinha. Para diminuir o estresse dela, não mexi muito. Contamos os filhotes bem rápido, chequei se havia alguma ferida, se estava tudo inteiro e resolvemos manter-los aqui na Fauna e reforçar sua alimentação por uns dias, pra ajudar.

Os filhotes no marsúpio e o retorno pra natureza

Ficou 2 semanas em nosso viveiro de transição, escondida em uma caverna de pano, com um ninho de madeira. Durante esse tempo evitamos qualquer contato: Só via a equipe na hora de limpar a casa ou de botar comida. Muito brava e ameaçadora, abria aquele bocão de gambá cada vez que alguém chegava perto. Gambás abrem a boca e guincham, ameaçadores, mas representam pouco risco para nós… Uma de suas principais defesas é fingir de morto… E a mordida mesmo só vem em último caso. Preferem fugir e se esconder.

voltando para casa

No dia de soltar, fomos microchipar. Surpresa: Aquela mãezinha era Maria Fernanda, uma das filhotes salvas em 2016, devidamente microchipada sob o número 939000004111989! Que alegria! Que recompensa fenomenal! Solta novamente, essa mãezinha vai de volta pro mundo real, completamente adaptada, recuperada de seu princípio acidentado. Tocou o coração da equipe com um sentimento de pura gratidão e alegria ao vermos nosso trabalho dando certo.

Ela, indiferente à equipe, foi-se embora, chiando e brigando, defendendo seus bebês no marsúpio, de volta pra mata atlântica.

Compensa cada segundo!

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9 respostas para Retorno

  1. daniel tosta gonzaga disse:

    parabéns mais uma da equipe fauna do JB.

  2. Beth disse:

    Vcs são d+. Parabéns pelo empenho e o resultado.

  3. Iasmin Macedo disse:

    Nossa, que história! Lindo!!! Parabéns pelo belo trabalho!

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